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segunda-feira, 27 de julho de 2015

ENTREVISTA: Bandanos (crossover SP)

Seguindo com as entrevistas que além de trazer as novidades e falar sobre a história das bandas, abordam questões ideológicas, trazemos um pouco sobre o que pensa o Bandanos. A banda que possui 13 anos de correria, e está em mais uma tour, separou um tempo pra responder algumas perguntas e nos deixou muito felizes com as respostas (demos ótimas risadas). Confira!

SCUM - O underground brasileiro, foi um celeiro de bandas de protesto, que lutavam pela igualdade muito forte. Ultimamente muitos integrantes de bandas e mesmo o público tem apresentado um comportamento mais conservador e muitas vezes de expressões de ódio contra negros, LGBT´s, por muitas vezes sendo também machistas e classistas (por mais irônico que isso possa parecer). A que vocês atribuem essa mudança de comportamento? Como é a reação do público frente a postura do Bandanos?

Lauro: Cara, creio que esse tipo de atitude seja um reflexo das bandas que ultimamente tem aparecido na “cena hardcore” (digo isso entre aspas pois em hipótese nenhuma considero isso hardcore). Bandas que se utilizam de bandeiras, próprios discursos de direita, homofóbicos e até nazistas/racistas. O hardcore que eu conheci, tem uma postura mais libertaria (não necessariamente anarquista), uma contracultura de tudo que achamos errado e questionamos em nossas músicas e tomamos como modo de vida essas mudanças como boicote (à multinacionais, crueldade animal, drogas etc). Não freqüento mais a cena hardcore como antigamente, mas vejo muita coisa ruim, muitos valores que antes questionamos, sendo trazidos pra dentro do HC. Hoje é mais importante a pessoa ir com um tênis importado, uma camiseta daquela banda gringa, mas não acredito que essas mesmas pessoas gastem seu tempo lendo algum livro, se informando de forma positiva... espero estar errado nesse aspecto que falo agora!

Helder: Não acho que se trata de mudança de comportamento. Acho que por conta do assunto nos últimos tempos ter ganhado bastante espaço para discussão, muito por conta das redes sociais de hoje, muitos apenas começaram a revelar suas posturas racistas, homofóbicas, preconceituosas em geral, tudo fruto de uma sociedade que há tempos é assim em sua maioria. Há muito da tradição do discurso religioso também por trás desses preconceitos e tantos aspectos reacionários, a maioria sequer não para pra pensar e repete esses discursos de ódio e preconceito. O Bandanos, ao contrário, leva em seus shows um pouco de reflexão a respeito disso tudo defendendo a liberdade individual acima de tudo, com responsabilidade, claro.

Marcelo Papa: Eu acho que as redes sociais potencializaram isso de uma forma descomunal. Acho que essas pessoas sempre existiram , mas se camuflavam pra “não queimar o filme” ou algo assim. No metal, principalmente!! Mais recentemente o hardcore/punk também. No meio virtual, você está sempre sendo analisado de alguma forma. Lá você pode achar adeptos pra qualquer ideia que vc tiver (pro bem e pro mal) e isso se inflama! Eu continuo acreditando no punk/hardcore que cresci freqüentando. Libertário e contra-cultural. Essa onda reacionária me deixa em alerta. Eu não irei buscar informação no Revoltados On line e nunca irei reproduzir nada desses canais, bandas , pessoas e páginas que pregam o ódio e soltam discursos vazios de tudo que sai na merda da Veja. Quanto ao nosso publico, eu confesso que as vezes não podemos controlar quem nos segue nas redes sociais. Outro dia postei uma foto com alguns queers amigos nossos. Perdemos 17 likes na página. Achei ótimo! Fiz até uma postagem comemorando os “dislikes” e já dando a letra que se mais gente pensasse igual, poderiam pular fora também. Tanto na página, quanto nos shows, sempre deixamos clara a nossa postura. Também pode ser um filtro anti-otário. Sempre divulgamos algo pras pessoas refletirem. Se elas entenderem , ótimo, se quiserem conversar e abrir uma discussão, também estamos aqui. Senão, é só parar de seguir a banda. Ninguém aqui quer catequizar as pessoas, mas realmente não vejo espaço pra gente compartilhar ideias com gente racista, machista e homofóbica. Não esqueci como é ser punk ainda.

SCUM: Do ano passado para esse, vocês tem feito shows incessantemente por todo o Brasil. Quais são as principais semelhanças e diferenças entre o cenário independente de cada região?

Lauro: Para mim, as semelhanças que o underground tem, é a sede de tocar, mostrar seu trabalho levando aquela frase do Conquest For Death “Many nations, one underground”. O que percebemos a respeito de regiões, são que as cidades pequenas o público chega pra trocar uma ideia, conversa conosco nas banquinhas de merch que montamos nos shows. Após os concertos vem nos abraçam, mesmo suados e fedidos. Não que as grandes metrópoles não façam isso, muito pelo contrário, nos recebem tão bem quanto as cidades pequenas. Porém são mais acatadas as pessoas, que não sei se por vergonha ou frieza não chegam pra conversar. Isso não é via de regra também! Agora, se tem equipamento grande ou pequeno isso não faz diferença pois já fizemos shows muito bons com equipos “simples” e shows ruins com equipos profissionais!

Helder: A principal semelhança parece ser a disposição de alguns ainda em tentar, mesmo em tempos em que a tecnologia domina o tempo das pessoas, fazer acontecer um show, evento, rolê, encontro... para as pessoas estarem mais próximas, curtir um som, ver as propostas das bandas que se apresentam... Os coletivos ainda estão por aí fazendo um bom papel quanto a tentar juntar as pessoas em prol de algo maior que as individualidades delas.

SCUM: Recentemente Mike Clark do Suicidal Tendencies, publicou uma foto usando uma camiseta do Bandanos. Como foi para vocês ter o reconhecimento de um ídolo?
Lauro: Poxa Mike Clark é uma referencia para todos nós do Bandanos que piramos tanto nesse visual Venice quanto nos estilo crossover de tocar. Proximo passo é fazer o Lemmy do Motorhead usar uma camiseta da banda hahahaha!

Helder : Se não fosse o Suicidal Tendencies na minha orelha no ano de 1988 quando escutei o Join the Army pela primeira vez, certamente eu não estaria no Bandanos, talvez sequer teria conhecido o Marcelo Papa, o Cris e o Lauro. Então depois de tanta devoção e adoração ao Suicidal, ver o Mike Clark no estilo mais cyco usando a camiseta do Bandanos é surreal!!! Esse é o aspecto da globalização da informação no mundo que é positivo! Hoje é possível saber o que acontece nas mais variadas cenas mundo afora, e consequentemente o Bandanos acabou sendo conhecido pelo cara que é uma das maiores influências de riffs e levadas de guitarra para o Bandanos. Eu toco um pouco de guitarra também, então consigo perceber a genialidade desse cara com o instrumento! Se existe um cara no mundo que eu gostaria de apertar a mão também é o Mike Clark.


Marcelo Papa: Imagina um cara velho surtando? Foi isso que rolou quando abri nossa caixa de mensagens e tinha um texto do Mike Clark falando algo assim : -“ E ai, caras! Mike Clark falando aqui! Gostaria de TROCAR material com vcs! Tenho discos do ST, No Mercy pra enviar. Podem me mandar discos, camisetas e bandanas?” – hahahahaha . Bicho!! TROCAR? Nem esperei! Fiz uma caixa com tudo que tínhamos na semana seguinte. Eu sempre falo que esse cara é o maior riffman do Crossover. É a maior influencia que eu tive. Meu pai me enchia o saco pra aprender a tocar. Eu pagava de muleque radical e falava que não queria , mas escondido eu pegava o violão dele e ficava fazendo umas bases. Quando apareceu uma fitinha com o “controlled by hatred” eu fui a loucura! Isso me incentivou a tocar! Do outro lado da fitinha , tinha o “join the army”, que é animalesco, mas na moral, a partir do “ how will... ‘ o ST virou outra coisa, as palhetadas do Clark fazem a diferença! Mudou minha forma pensar em musica.




SCUM:  Nesses 13 anos, o Bandanos passou por uma mudança na formação, chegou a parar por um período, mas voltou com força total. Quais foram os piores perrengues que vocês já passaram? E qual foi o momento inesquecível?

Lauro: Posso falar que os piores momentos que passamos, foi uma vez (uma não mais de uma vez, mas deixa esse detalhe pra lá) que perdemos o vôo para Brasília, que eram passagens já compradas ida e volta. Enfim, a vontade de tocar la era tão grande que resolvemos tirar do bolso pra voar pra lá. Conseguimos chegar aos 45 minutos do segundo tempo. Show brutal em Brazlandia, com uma galera que ficou esperando a gente até tarde da noite. Enfim, hora de voltar chegamos no aeroporto e constamos que por perder o vôo de ida, automaticamente o vôo de volta fora cancelado. Acho que nunca rolou tanto estresse quanto naquele dia. O momento inesquecível daquele role foi, comer toda a geléia de morango que a mãe do Márcio (Prod. Do evento em na cidade) fez para o Bill (Nosso Roudie) e ele não pode comer, por causa do vôo.


Helder: Como faço parte da banda num período mais recente, o que posso dizer que o maior perrengue é constantemente aguentar o Papa e o Cris enchendo o saco (risos, muitos!) Se o Lauro fosse cristão certamente ele iria pro céu com honra ao mérito, mas... Pra citar uma história, até agora o pior perrengue acho que foi uma discussão entre os dois às 5h da matina depois do nosso último show de 2014, em Anápolis, em Goiás. Os dois começaram a discutir e estavam por um fio de saírem no soco... lavaram uma roupa suja de uns 20 anos... Affeeee... não tínhamos pra onde ir, onde dormir, o que comer, no meio de Goiás... e os dois parecendo dois irmãos brigando e discutindo porque um deles "comeu a última bolacha do pacote", e eu e o Lauro resolvemos sentar na praça pra assistir aquele evento horroroso... hahahaha... Ufa, a banda quase acabou! Agora eles se amam de novo!

Marcelo Papa : HAHAHAHA!! Quanto a esses depoimentos em que estou envolvido, vou ficar calado! Eu citaria nossa tour pelo Nordeste em 2009, ainda com outra formação. Compraram nossas passagens de ida, e falaram que assim que chegássemos por lá, teríamos as de volta. Mas...adivinha? Claro que as passagens não foram compradas. Como sempre falo, o underground não tem contrato e só a palavra, nós acreditamos e , pra variar, nos fodemos tirando ( MUITA) grana do bolso pra voltar. Esse foi um fator pra banda dar um tempo. Gerou uma atrito interno entre nós. O Lobinho e o Bucho ficaram desanimados (além de assumir que estão velhos pra tocar tanto quanto queremos...hahah). Ficamos 7 meses em processo de troca de membros e voltamos com força total logo depois. Mas temos muito mais coisas boas do que ruins pra contar. O saldo é muito positivo, não tem nem comparação.



SCUM:  Indiquem 3 bandas nacionais que vocês realmente ouçam no dia a dia (essa é uma pergunta de praxe).

Lauro: Cara sempre que escuto essas bandas eu me remeto aos shows muito legais que fizemos junto com elas. Vulcano foi uma banda qie eu escutava por anos e tive o prazer de tocar e viajar com os caras. Foi um show histórico pra mim. Tirei Zero, uma banda de Goiânia muito fudida também, que logo mais sairá um play... hardcore rápido e sem frescura. O DCH (vulgo Heresy brasileiro), tivemos a oportunidade de tocar com eles duas vezes esse ano e além de fazerem um fastcore violento, são pessoas muito queridas, os muleks zikas mais gente boa que a gente conheceu em todo o role!

Helder: Meu gosto é bem variado, então eu quase sempre deixo meu player no aleatório, gosto de ser surpreendido, de ouvir algo que nem lembrava mais. Nessa semana escutei Ratos, Grinders e Korzus. Sepultura também sempre acaba rolando, e por aí vai! Uma vez por mês eu reassisto ao show desses caras em Barcelona, em 1991! Aquilo foi maravilhoso! Vale a pena conferir!


Marcelo Papa: “Statues on Fire” de Santo André. Uma banda que escutei esses dias e certeza e vai ficar no play list por uns tempos é o “Deadtrack”, de Uberlândia. Tipo um Toxic Holocaust brasileiro! Fodasso! Também não posso deixar de escutar meus filhos do” DCH” e “GeorgeXRomero”.

SCUM - Obrigado pela atenção. Esse espaço é de vocês! Deixem uma mensagem, passem contatos... Aproveitem como bem entenderem.}

Lauro: Muito obrigado ao Scum Zine pelo espaço cedido. Esse tipo de informação ainda é um importante veículo de informação, sem rabo preso com grandes mídias de massa, o que torna essa informação mais integra possível, não desviando dos verdadeiros objetivos e valores descritos. Pra galera, deixar bem claro que a música é uma arte, sendo isso não tem como mensurar ou qualificar num sentido de competição. Na arte não existe competição. Leia muito; leia das letras que a sua banda favorita escreve, leia livros como base de referencia de informações, leia os ingredientes que você consome (as vezes você ingere veneno e nem sabe) leia muito e você não será iludido pelo sistema. Povo burro é um povo que deixa usar cabresto!

Helder: Não render-se jamais! Essa é a vida. Seleção natural, a vida seleciona os mais fortes, portanto a resistência tem que continuar. Resista e seja forte! E lembre-se: a força vem sempre do conhecimento, da cabeça, não de punhos e pontapés a esmo por aí!

Marcelo Papa : Obrigado demais pelas perguntas! Zines ou Webzines, são tão importantes quando as bandas pra manter a cena viva. Procurem Bandanos em : www.facebook.com/bandanos_crossover ou @bandanos_crossover
Grande abraço!

segunda-feira, 30 de março de 2015

RESENA: "Nuclear Awake" - N.W.77

"Mataram o Risadinha cara! Mataram ele!!!"
 Esse cd é foda!!! É somente assim que podemos começar essa resenha. 
N.W.77 fechou o ano de 2014 destruindo tudo com esse ótimo trabalho intitulado "Nuclear Awake", reforçando mais uma vez que Brasilia é um berço de bandas animais (vide DFC, Macakongs 2099, Disforme, Deceivers e por aí vai). O N.W.77 mantem honrosamente essa essa tradição.

As influências de thrash e hardcore é o que da nota em seu crossover empolgante e agressivo. O disco tem 16 pedradas e começa com a excelente "Charles Bronson Jr" e, basicamente, é emendada com a segunda musica uma homenagem ao Jeff Haneman chamada "Hannemania". O refrão fica grudado na cabeça de primeira. O disco não perde em nenhum momento a pegada e você já está curtindo "N.A.G.A.C.A". "Worldwide Death", para mim é a melhor do disco, com destaque para a letra que é bem forte (deixo vocês curiosos para pesquisar).



"Mad Driver", é um outro destaque que ressoa um thrash metal pesadíssimo. Outras ótimas músicas que não podem ser deixadas de lado são "Terror Tecnológico", "Pig Spirit", "TV Riot" - esta que possui uma ótima levada de bateria, a direta "Bleeding Eyes, e a quase grindcore "One Step Behind". "Death Scene", "The End Incomplete" vão para a linha mais metal. Fechando o disco, temos "The End is Complete" (falei quase disco todo hahahahaha).

Outro fator a ser lembrado é a ótima gravação e a excelente arte da capa do disco, e parabéns ao selo Rotthenness que lançou esse grande trabalho.

Nota: 9

Mais sobre a banda:
https://www.facebook.com/nw77music?fref=ts
http://nw77.bandcamp.com/
https://twitter.com/NW77Music

quinta-feira, 26 de março de 2015

RESENHA: Orgasmo de Porco "Useless"

O Orgasmo de Porco já é conhecido da galera que curte Crossover, já passou pelo Scum na lista das bandas mais legais surgidas no gênero nos últimos anos! E com esse novo lançamento (Useless) não da para diminuir esse predicado.
De novo o destaque do trampo são os riffs do "Paulinho", variando dessa vez entre a velocidade da luz e algumas passagens mais cadenciadas (Bad Taste Industry conta até com um solo meio blues). É legal ver uma banda desse estilo variando e experimentando tanto. Algumas ressalvas em relação a bateira, no entanto, precisam ser feitas. Em alguns momentos as batidas na caixa e bumbo soam como se estivessem desconexas. E em relação aos pratos, poderiam seguir a linha do "menos é mais". Talvez tenha faltado um pouco mais de treino, mas nada que não possa ser melhorado ou que afete esse play que é muito legal. Notamos um grande crescimento do vocal e do baixo em relação aos trabalhos anteriores. O vocal do "Caverna" conseguiu encontrar uma identidade e o baixo está sendo melhor aproveitado nas cantigas como no som "Smoke Your Reality", que conta com um solo de baixo e uma parte bem pesada e cadenciada.


Resumindo, Useless, é um disco que mostra uma clara evolução por parte da banda desde o "My Mind is a Mess", os caras estão com mais vontade de tocar, mas não largaram de lado a intenção de misturar influências e experimentar coisas novas. Não podemos deixar de mencionar a arte maravilhosa em que o vocalista é um dinossauro. Ela foi criada por Shell www.facebook.com/artshellgrafite. Prometeram um full ainda para esse ano, e, eu como fã, não vejo a hora de sair!
Nota: 8,6781 Mais sobre a banda: www.facebook.com/oxdxpx

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NEWS: Surra publica capa de novo trabalho

A banda de crossover da baixada santista, Surra, pulicou hoje em sua página do facebook a a arte de seu próximo trabalho intitulado "Somos Todos Culpados". 

A arte que nos remete aos linchamentos a jovens pobres e negros que aconteceram durante o ano de 2014, é assinada por Jansen Baracho, e passa a mensagem sobre a banalização da violência, falta de valor a vida e dignidade humana, além de preceitos sobre racismo e classicismo.

A banda ainda informou que nos próximos dias irá publicar um vídeo com uma das músicas novas "Fim da Festa" com a letra e que no fim do mês de janeiro, estará disponível para aquisição o vinil 7".

Diante do exposto, estamos ansiosos para conferir o que vem por aí!

Mais sobre a banda: https://www.facebook.com/surrahardcore


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ENTREVISTA: Surra


O papo de hoje é com o pessoal de Santos que manda um crossover de responsa: Surra! Confira.

SCUM: Vocês são ex-integrantes do Like a Texas Muder. Como surgiu a ideia de montar o Surra?


Leeo: Cara, fiquei mega decepcionado com o fim do LATM, quase desisti de ter banda com eles. Logo depois que acabou, eles 2 iam montar uma banda com uns amigos e eu ia ficar no Bayside Kings.Tive um surto em casa, compus uns riffs e liguei pro Victor... Falei que precisávamos nos trombar pra conversar e aí decidimos fazer algo do zero nós 3 mesmo.

SCUM: As letras de vocês, geralmente tem cunho social. Quem as escreve? Fale um pouco sobre alguma delas.


Guilherme: Essa é uma pergunta bem interessante que é sempre legal de comentar. 
Sem exagero, mas, nós 3 escrevemos a maioria das letras da banda.
Geralmente um dos integrantes vem com um esqueleto ou ideia crua e dedicamos tempo e atenção especial para transformar aquela ideia em uma letra.
Sempre buscamos encaixar frases e palavras que não só fiquem legais musicalmente falando mas que transmitam fielmente a ideia que tivemos ao elaborar a letra. 
Nem sempre temos essa capacidade até por que nossas músicas no geral são curtas e abordam questões ditas "polêmicas". Estamos sempre abertos a trocar idéias sobre as letras já que não temos a intenção de impor o que pensamos sobre nenhum dos assuntos.

Uma letra que eu acho que é legal de comentar um pouco é a letra de "Cubathrash". 
A galera tem uma relação de amor e ódio com essa letra hahah. 
Algumas pessoas interpretam superficialmente a letra e chegam a pensar que foi feita como forma de denegrir a imagem da cidade e das pessoas que vivem/trabalham lá.
A letra foi escrita a uns 4 anos atras e foi uma alusão aos tempos mais "cinzas" da cidade tendo como "inspiração" as músicas Cubatão do Psychic Possessor e Biotech is Godzilla do Sepultura (a letra é do Jello Biafra do Dead Kennedys) mostrando o descaso das autoridades em geral com a questão ambiental e social atrelada a instalação de indústrias altamente poluidoras na região.Já até falamos isso pro Andreas Kisser quando o Leeo participou do progama Pegadas.
Eu particularmente estudei três anos em Cubatão e sei que a situação ambiental hoje é diferente do que nos anos 80. A cidade está mais limpa só ambientalmente por que o poder público continua igualmente podre.
Por se tratar de uma letra mais antiga talvez hoje, por conta da maturidade e capacidade de escrever letras que transmitam melhor o que estamos pensando, abordaríamos o tema de uma maneira diferente.

SCUM: O Surra é uma banda aceita dentre o público hardcore e o de thrash metal. Quais são as diferenças e semelhanças de ambos.

Victor: Acho que varia muito de cidade para cidade. Em cidades maiores existe uma segregação maior entre públicos mesmo, mas em cidades pequenas, fora dos grandes centros, é todo mundo junto, até porque se não for, não tem como rolar nada.

Acredito que a gente fique em um meio termo incômodo para algumas pessoas, por ser muito metal para o hardcore e muito hardcore para o metal. Independente disso, acho que conseguimos mesclar bem as influências e criar algo minimamente original. Se isso quer dizer que não teremos rótulos definidos, então OK, seguiremos nosso caminho com um público "porra louca" mesmo hahahaha

SCUM: Agora em novembro, você irão tocar com um dos ícones do grindcore mundial, Magrudergrind, junto a outras bandas nacionais de peso. Qual é a expectativa para esse show?


Guilherme: Eu em especial estou muito ansioso já que é a estreia da minha produtora, a Sete Pele Produções.Essa vai ser a minha primeira aventura na organização efetiva de um evento.
O esquema vai ser totalmente DIY com ajuda de várias pessoas que gostam/apoiam/organizam eventos desgraçados na Baixada Santista.
Sou suspeito para falar do cast das bandas (visto que fui eu quem escolhi hahah). Só banda de responsa! 
Faremos um setlist inédito nesse dia tocando todos os 4 sons que vão sair no nosso 7" EP intitulado Somos Todos Culpados. 

SCUM: Qual foi o show mais marcante que vocês fizeram? 

Guilherme:Considero que todos os shows que a gente faz são importantes para a caminhada da banda. 
Um cara que chega ali na banca do merch pra trocar uma idéia ou depois do show comenta alguma coisa... essa interação é primordial na nossa visão. 
Tem um pouco a ver com o que falei na pergunta referente as letras. 
Acredito que nesses momentos temos a oportunidade de mostrar um pouco mais do que somos e do que pensamos.
Alguns shows que eu destacaria são principalmente da turnê norte/nordeste carinhosamente chamada Páscoa de Merda Tour que fizemos em Abril desse ano:
Casa Fora do Eixo - Macapá/AP
Xani Club - Belém/PA
Bueiro do Rock - Teresina/PI
Nesses 3 shows em específico esse lance da interação da galera tanto durante o show (os moshs, wall of deaths, circle pits mais insanos que já rolou com a gente tocando) quanto antes e depois do evento foi muito intensa. Ver a galera cantando as letras que você fez a 2.000 km de casa é extremamente gratificante.
Tivemos oportunidade de conhecer os organizadores locais e suas famílias (sempre nos tratando maravilhosamente bem), além de bandas fudidas. 
Fizemos amizades que cultivamos até hoje e com certeza vamos voltar para lá ano que vem!

SCUM: Indiquem 3 bandas nacionais e independentes que vocês ouçam!

Comos somos em 3 cada um vai mandar a sua sugesta.
Guilherme: Atualmente estou pirando no thrashcore dos manos do DCH.
Leeo: Eu recomendo o Institution! Muito fudido!
Victor: Cursed Slaughter manda demais.


  


SCUM: Obrigado pela entrevista e esse espaço é de vocês! Usem como quiser.

Victor: Valeu você pelo espaço! Dentro de um mês (ou menos) estaremos lançando nosso novo EP "Somos Todos Culpados", em formato de vinil de 7 polegadas. Postaremos maiores informações em breve na página, mas já adianto que ele contém 4 faixas, que são as coisas mais agressivas que a gente já fez na vida hahaha

Links relacionados:
https://www.facebook.com/surrahardcorehttp://surra.bandcamp.com/

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

RESENHA: Nobody Brings My Coffin Until I Die - Bandanos

O Bandanos é uma banda que dispensa apresentações, parte do underground há uns 12 anos, os caras são figura carimbada em inúmeros festivais no país.
A linha é um crossover mais calcado em riffs punks, o vocal segue a mesma linha do primeiro disco (O excelente We Crush your mind), ou seja lembrando a todo tempo o nosso querido Blaine Cook do The Accused!!
Quem acompanha a banda sabe que a formação da banda sabe que recentemente eles tiveram mudanças na formação, os novos interegrantes (Helder (batera), Lauro(Baixo)), chegam trazendo uma nova energia a banda, nesse novo disco o Bandanos insere algumas passagens mais cadenciadas em alguns de seus sons!
A produção fica mais uma vez a cargo do Ciero do estúdio DaTribo, uma produção correta, com um som que mesmo sujo soa muito bem gravado, provavelmente gravado de forma analógica.
Destaque ao meu gosto pessoal fica para a excelente Bay Aerea Seduction, com quebras de ritmo, com um riff simples porém eficaz! Começando com um ritmo bem pesado, com uma condução certeira na cúpula do prato.
Da banda não há como não destacar o guitarrista Marcelo Papa, que carrega a identidade da banda nos riffs.
Único ponto negativo da bolachinha (ou do bolachão, caso vc tenha adquirido o vinil) ficam a cargo dos backing vocals, que parecem meio baixos e as vezes até meio desanimados, mas nada que ofusque esse excelente lançamento!
Faz o seguinte, não fica morgando, os caras estão tocando em todo o canto do Brasil, e vc pode ouvir o disco inteiro no YouTube antes de adquirir sua cópia física!! Corre logo lá, vc não vai se arrepender.

Nota: 8,54741

Links relacionados:

https://www.facebook.com/bandanoscrossover
http://bandanos.bandcamp.com/

terça-feira, 17 de junho de 2014

RESENHA: Horny for Blood - "Vomithrash"

É sempre um grande prazer  escutar bandas novas.  O que dizer quando elas  surpreendem a primeira audição? A banda que apresentamos hoje, a  Horny Blood, causa exatamente isso!  Estamos ansiosos para que essa material saia logo em cd.

Então vamos lá! Aos amantes de crossover, a banda apresenta um som de extrema qualidade , com riffs e batidas extremamente bem executados.  A banda, que foi formada  no inicio de 2012, não deixa nada a desejar às mais antigas.

Esse primeiro  material online - o Vomitrash, traz um  hardcore/trash que nos remete a bandas como  D.R.I à Ratos de Porão.  O primeiro som, “Noia Nuclear”  que é emendada a “Madre Derci” te introduzem ao pogo. “Essa é nossa cena” que vem na seqüência, possui um começo grind e é bem curta, o que te obriga a ouvir de novo! Infelizmente não encontramos as letras para acompanhar e saber do os sons tratam.

No geral, o disco é bem curto, mas se você colocar no repear várias vezes, não enjoará! “Circle pit do mal” é outro destaque.  Vale a pena lembrar que o vocal da Marilia é um grande diferencial, pois transmite ódio em cada palavra urrada. Vomitrash é uma das pedradas do ano. Não deixe de conferir.

Mais informações, acesse:
https://www.facebook.com/HornyForBlood

Nota: 9.7


quarta-feira, 9 de abril de 2014

ENTREVISTA: Imminent Attack

Dez anos de banda e energia de sobra. Confira o papo que tivemos com Dinho, vocalista do Imminent Attack de Barueri.




SCUM O Imminent Attack completa em 2014, dez anos. Conte um pouco sobre o percurso da banda.

Verdade este ano fazem 10 anos de estrada e muitas coisas aconteceram durante esse período. Nesse tempo tivemos algumas mudanças a primeira delas aconteceu na bateria em 2004 mesmo, quando Carlos Cananea cedeu seu lugar para o André A.lein que está conosco até hoje...Tivemos mais mudanças foi no Baixo onde Glauber foi o primeiro a tocar com a gente e depois dele passou o Jonas que gravou o Deliver com a gente, o ultimo a tocar conosco foi o Alan Magno que infelizmente não poderá continuar com a gente.Hoje quem está assumindo o baixo é o Ivan que era nosso guitarrista, esperamos que agora não tenhamos mais problemas com as 4 cordas rsrsrs...Estas foram as principais mudanças na banda que conta ainda com o Erick Veles na guitarra e com Dinho Guimarães nos vocais. Em 2005 gravamos uma demo que nem divulgamos pois achamos a gravação horrível, tivemos mais vergonha na cara e acabamos em 2012 gravando algo mais decente rsrsrs...foi quando saiu o DELIVER US FROM OURSELVES, em 2013 tocamos em mais de 30 cidades pelo Brasil, tivemos a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, lugares sensacionais, enfim...Em 2014 tivemos o lançamento do EP COUCH POTATO e estamos trabalhando nas musicas que farão parte do nosso próximo álbum que se tudo der certo estará na praça no inicio de 2015.


SCUM -  Os shows da banda têm sido considerados um dos mais enérgicos na cena crossover nacional. Cite algumas cidades, produtores, fatos que tenham marcado vocês de alguma forma.

Sempre tivemos a preocupação de tocar imaginando que a gente está do outro lado do palco, talvez por isso tocamos com toda essa vontade e energia, quando a gente sai de casa pra ir tocar em alguma cidade, a gente faz o show como se fosse nosso ultimo, pois queremos sair do local com as pessoas querendo que a gente volte (ou não) rsrsrs...Tivemos a chance de tocar em vários locais pelo Brasil e tocar alguns locais que não esqueceremos nunca, um deles com certeza foi o Festival do Sol em Natal/RN, galera insana, local fantástico, estrutura que não vi igual por aqui. Posso citar tbm o show em Sobral/CE que foi sensacional.

SCUM -  'Deliver Us From Ourselves' foi muito elogiado pela crítica. Como foi o processo de composição?

O álbum contem faixas de 10 anos atrás e outras compostas 2 dias antes da gravação, podemos dizer que é um disco que realmente abrange todo esse período da banda, por isso é difícil pra gente falar sobre processo de composição, pois não tivemos um período pra se dedicar apenas a composições novas e talz.

SCUM -  Quais são os planos do Imminent Attack?

A gente tenta focar em períodos curtos, por exemplo, nossa “meta” pra 2014 é terminar a gravação do novo álbum e tocar o máximo possível. Após esse período a gente se reúne e conversa sobre as metas do próximo ano e assim por diante rsrs...mas no geral nosso planos não fogem a regra da maioria das bandas, gravar, tocar, conhecer novos lugares, novas pessoas, tocar pra cada vez mais gente...

SCUM - Indique 4 bandas nacionais de thrash/crossover que nossos leitores não podem deixar de ouvir!

Isso sempre é uma tarefa muito ingrata, pois inevitavelmente vamos esquecer varias bandas... Mas pra citar quatro, são elas: Criminal Mosh (SP), D.D.A (PB), C.F.C (RS), Cursed Slaughter (SP)

SCUM - Muito obrigado pela entrevista e esse espaço é de vocês. Usem como quiser!

Só queremos agradecer pelo espaço cedido aos mamutes e a força que o SCUM WEB ZINE está dando pra galera independente. Valeu mesmo!!!!

Mais sobre a banda:
https://www.facebook.com/imminentattack


domingo, 5 de janeiro de 2014

RESENHA: Cursed Slaughter - "Metal Moshing Thrash Machine"



Grande disco de estreia da banda paulistana Cursed Slaugther, originalmente lançado em 2012
em formato demo, agora remasterizado pela Peculio Discos, Metal Moshing Thrash Machine, é indicadíssimo para fãs de D.R.I e Municipal Waste e da velha escola do Trash Metal, a qual já tive a oportunidade de ver alguns shows.

Fica difícil destacar alguma música, pois o play inteiro possui uma energia animal. Começando com Nuke  Future, que é clássico em seus shows com muitos stages dives e um circle pit com direito a surf, Crystal Lake (hino) passando por Cyco Army, Metal Moshing Trash Machine, música que finaliza os shows, The Dead Will Walk the Earth, finalizando com a excelente Silent Storm. O Cursed Slaugther é aquela fusão perfeita para quem gosta de Trash Metal, filmes de horror (vide vinhetas e referências nas letras) e cerveja.

Mais uma grande banda que mostra como o cenário nacional é cada vez mais forte não devendo nada as bandas gringas. Sendo uma das grandes promessas do crossover nacional, a banda tende a ampliar ainda mais seu público, e esperamos ansiosamente pelo próximo trabalho. Adquira logo seu cd, tomando uma cerveja e esperando o holocausto zumbi com Cursed Slaughter na trilha sonora!

Nota: 9,2

Mais sobre a banda:

https://www.facebook.com/cursedoficial?fref=ts
http://www.myspace.com/cursedslaughter

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

RESENHA: N.W.77 - Youth Explosion

Nesse penúltimo dia do ano, estava fazendo uma limpa no email do Scum... Eis que verifico os spans e encontro um email enviado em março desse ano que não deveria de forma alguma ter sido ignorado (maldito Google!!!):  N.W.77 de Brasília, hardcore, crossover do capiroto.

Pesquisando sobre a banda, vi que um dos integrantes, o Marcel, passou por bandas quais, nós do Scum somos muito fãs: Macakongs 2099 e Deiceivers. Além do Márcio, que é o atual guitarrista do Deiceivers. Coisa boa não deveria deixar de ser!

Em relação ao som, ouvimos no bandcamp da banda, o EP Youth Explosion, que possui riffs marcantes e uma velocidade empolgante do começo ao fim. O primeiro som, Freeloader possui algumas características próprias do Thrash, que com certeza agrada a headbangers, além do pessoal do hardcore.Broken Teeth me fez querer moshear com os familiares aqui na sala! rs. Warriors Against the World é a música mais veloz e insana. Youth Explosion, fecha com chave de ouro esse ep, que tem destaque na energia em que o vocal expressa.

As quatro músicas foram mixadas em São Paulo por Daniel Iasbeck (Secos & Molhados, ex-Exxótica e teve a arte inconfundível, feita pelo Túlio, vocalista do DFC. As músicas também estão disponíveis em uma edição limitada em CD, que é, na verdade, um split com a banda crust/hardcore Agamenon Project.

A banda possui ainda um primeiro trabalho lançado em 2011, contendo oito músicas, o Doomsday Countdown, que comentaremos futuramente.

Aos fãs de thrash, crossover, hardcore, barulho... Essa é uma daquelas bandas que você precisa conhecer, que só nos recorda como Brasília é um celeiro de ótimas bandas.

Nota: 8.7


terça-feira, 27 de agosto de 2013

NEWS: Bandanos lança video clipe de Stay Cyco


A banda de crossover Bandanos lançou o clipe de Stay Cyco, CxfxCx Crossover Thrash e Chama Vídeo Independente pelo video, que contou com a participação de Tulio Dfc, Poney e Violator, Diogo Moreschi e Warsickness, CxFxCx, Marcelo Mosh Rat e Criminal Mosh, Laura Baptista, Diego Nogueira Sábio e Blasthrash e a o Sr. Alceu Medeiros de Souza.

Confira no link: 
http://www.youtube.com/watch?v=vK79TnlHOuU


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ENTREVISTA: Orgasmo de Porco

Conversamos um pouco com o pessoal da banda de crossover do Vale do Paraíba/SP, Orgasmo de Porco. Eles falaram um pouco sobre o início da banda, DIY, processo de gravação do último trabalho, indicaram bandas e falaram sobre muitas outras coisas dentro desse conceito! Leia a entrevista, ouça My Mind is a Mess e vá a todos os shows dos caras, que  vocês puderem. Serão experiências únicas!



SCUM - Fale um pouco sobre o início da banda.
ODP – Porra, cara vamos tentar lembrar do início da banda. Sabemos que foi mais ou menos Junho de 2009, Lobo (bateria) e Paulinho (guitarra) se conheceram no lendário Orkut e eram dois idiotas que queriam formar uma banda e curtiam Thrash. De Cia (baixo) é irmão do Lobo e já tinha uma bandinha podre com uns amigos então só faltava alguém pra gritar, que foi o Caverna (berros) que estudava na mesma sala do Lobo e curtia umas doideras (hardcore da pior espécie em geral) e claro topou fazer essa banda e que genialmente invocou o nome Orgasmo de Porco. Marcamos um ensaio e tocamos Roots bloody Roots do Sepultura pela primeira e única vez hahahah. Já tínhamos aprontado uns riffs e umas letras, então mandamos ver nas músicas próprias pra ver que inferno ia sair dali. Mais uns 2 ensaios e gravamos toscamente a Demo “Mosh on Chikeiro”.


SCUM- Recentemente vocês lançaram o cd My Mind is a Mess. Comente um pouco sobre o processo de gravação, busca por selos e sobre a evolução da banda em relação a trabalhos anteriores.
ODP – Foi lento, demorou pra caralho. Desde a gravação da guitarra guia até a final da masterização foi 1 ano, e se contar que agente já queria lançar um álbum desde 2011 então pode botar ai uns 2 anos. Claro que a burrice da banda como um todo fez parte disso (somos uma banda burra demais haha). Mas saiu, e com essa coisa doida ai que são selos. Por que quando começamos só queríamos tocar e fazer shows, sinceramente ninguém sabia muito bem o que são selos/distros e acabamos fazendo as xerox das capas pegando os CD-Rs, copiando e distribuindo nós mesmos desde a demo até o ultimo EP antes do My Mind. Mas com a banda tocando por aí e conhecendo gente,  eventualmente fomos trocando ideias e conhecendo as coisas e vendo como que elas funcionavam. O Lobo que faz as artes das nossas demos/splits/eps/camisetas/cuecas/etc  conheceu o Mozine (Läja Records) por conta dessa arte e de uns alcoolismos e curtição de show e também o Gil Dessoy (Cianeto Discos) fazendo um desenho doido. Falamos com eles e os mesmos curtiram e toparam lançar esse álbum, mas queríamos achar mais selos que quisessem lançar e a banda toda foi buscando por selos mandando e-mails pra mundo todo. Para não atrasar mais ainda o lançamento fechamos com os que já tinham certeza. Apareceu assim o Jefferson (Faminttus Records) que conhecemos de uns roles pela região, e o Alexandre Casalunga ( Terceiro Mundo Chaos Discos) que respondeu muito prontamente aos nossos e-mails. Também tem a NO SCHOOL RECORDS, que na verdade é coisa da banda LO-FI que lança desde sempre todos seus materiais com esse selo próprio e quando os conhecemos acabamos pegando esse selo também e lançamos os splits podres pela NO SCHOOL hahah.
Lançar um álbum é meio que um processo natural da evolução da banda, agente já tinha lançado 2 splits e um EP mas estávamos com várias músicas novas e vimos que era a hora de ter o primeiro álbum, algo mais “trabalhado” no sentido de mostrar mais a banda desde a arte da capa até a bônus hidden track maldita no final do CD. Demonstra mais ou menos o que é a banda desde 2009 até 2013 e os novos sons e os antigos, até porque regravamos músicas da própria demo. Então o My Mind is a Mess  resume bem o conteúdo indigesto que é a banda. Cada vez mais vamos ficando mais entrosados e músicas novas vão saindo mais naturalmente.

SCUM - O ODP é uma das poucas, senão a única banda de crossover da região do Vale do Paraíba. Como é a cena undergroud na região? Shows, bandas, público...
ODP – Várias bandas do Vale do Paraíba acabam se tornando as poucas ou as únicas nos próprios estilos, mas ODP não é a única de crossover. Por exemplo, conhecemos uns caras doidos a pouco tempo da banda Febre do Rato de Santa Isabel que manda um crossovozão bom.
Cara, o esgoto aqui a um tempo atrás tinha mais retardados indo aos shows e agora tem menos retardados, mas mesmo assim bandas novas apareceram e antigas continuam lançando material e fazendo shows muitas vezes fora da região. A frequência de shows deu uma diminuída talvez porque uma onda da shows de bandas cover tenha aparecido e disputar espaço com algo que da claramente retorno financeiro pros organizadores, é foda. Mas em várias cidades aqui pelo Vale existem pessoas que realmente querem fazer o role e fazem independente do número de pessoas e se vai dar pra pagar os custos ou não. Galera boa sempre aparece, o problema é continuar. Muitas vezes é uma fase da pessoa estar ali curtindo determinado tipo de role e som e aí ela deixa de frequentar estes espaços e por algum motivo as vezes não aparece ninguém novo querendo conhecer. É a renovação do público, e se não aconteceu e agora são poucos, que seja. É o curso natural, não precisamos de uma horda, ninguém tem que “bater cartão no underground”.


SCUM- Indiquem 3 bandas nacionais e 3 internacionais que possuem influência direta no som de vocês.
ODP – É foda falar só três bandas, então quebramos só um pouquinho a regra haha. Começando pelas bandas nacionais, são elas Lo-fi, Merda, Chaos Synopsis, Ataque Nuclear e as internacionais são Cross Examination, Golers, Ramming Speed, Vio-lence, Tankard entre muitas outras.



SCUM - Quais são os planos da banda?
ODP –  Os planos da banda são basicamente continuar fazendo shows e tocando o inferno por ai. No momento estamos com mais algumas músicas novas e sem ideia alguma de onde podemos esgurmitá-las a não ser nos shows. Talvez mais splits, EPs, alguma coletânea ou oque aparecer. Como acabamos de lançar o My Mind Is A Mess a prioridade é espalhar essa loucura pelo esgoto a fora haha.


SCUM - Além da banda, vocês organizam alguns eventos na cidade de vocês. Qual a importância do DIY para vocês?
ODP – Sim, desde que começamos com a banda foi algo inevitável organizar alguns roles. Quando aparece uma boa ideia pra um show agente se organiza com os amigos e a galera que agente conhece e tenta fazer um “evento” pra todo mundo, teve um dos primeiros o Quebra Ossos na Garagem que foi na garagem de um amigo nosso e foi com mais um projeto tosco do Lobo (Vermenoise) e uma banda que o Paulinho tocava (Deserto Maldito) e mais uma banda. E foi fudido, agente simplesmente foi na garagem e fizemos o show, chamamos as pessoas e quem apareceu curtiu. Depois disso fizemos mais um Quebra Ossos e um São José do Esgoto que é um lindo festival que ocorre por aqui. Esse também foi animal, e contou com uma organização um pouco maior por que trouxemos  o Violator  que é uma banda de Brasília então envolve datas, e passagens aéreas antecipadas e foi um festival com muitas bandas pros parâmetros da casa de show local, mas tudo isso não impediu a gente e quem quis se juntar pra ajudar a fazer  esse show. Assim como o Vomitada do Menino Indefeso, outro role que organizamos depois foi o OEF (Obsceno Elton Festival), que foi algo que surgiu e o pessoal gostou da ideia e foi meio que uma desorganização organizada total haha, juntando as bandas, conversando com o Elton sobre a possibilidade dessa festa na casa dele e tendo os equipamentos (bateria e amplificadores) meio que não faltava muita coisa era marcar o dia e tocar. Pessoas conhecidas e desconhecidas divulgaram o role que ia acontecer, cada um do seu jeito colando xerox nos postes da cidade e no cyberespaço, e no final foi um role animador e que inspirou muita gente.  Achamos que a importância do DIY é isso, quem gosta faz seja na garagem do amigo, churrasco no domingo, casa de shows local, na sala de casa ou banheiro. Nem pensamos em DIY, só fazemos. É um impulso, é natural, é o motivo de termos uma banda. Queríamos tocar aquele som que agente curte pra caralho e montamos a banda, então organizar “eventos” é natural também, nem sempre existe um espaço com tudo pronto pra se fazer e não tem porque deixar de fazer o que você gosta por isso, gostamos disso e vamos continuar fazendo.




SCUM - Esse espaço é de vocês! Usem como quiserem.

ODP -  Agradecemos o espaço, bebam cerveja e toquem o inferno, sejam excelentes uns com os outros, foda-se a moda, foda-se o canário undergroud, invoquem satãe festejem com ele. Estamos nesse esgoto porque gostamos e fazemos o que a gente gosta, é muito bom quando encontramos pessoas que pensam da mesma forma que nós. CMC.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

RESENHA: Imminent Attack


O Imminent Attack faz um Thrash/Crossover desses da nova escola brasileira.
O disco Deliver us From Ourselves foi gravado no estúdio Casanegra e muito bem diga-se de passagem, mixagem e produção de primeira.
O som da banda é pura energia!!! Porradaria de primeira do começo ao fim, a vontade que temos é de sair socando tudo pela frente, derrubar a mesa do escritório e rolar pelado na grama!
Eu pessoalmente adoro um álbum bem mixado onde conseguimos distinguir todos os instrumentos  e esse aqui é o caso!!! O baixo esta com um timbre fodido e muito bem tocado se destacando durante todo o disco!!
Os vocais são bem executados, e com uma métrica que casa bem com as músicas e com coros excelentes.

Falar dos caras ao vivo seria chover no molhado, então vou só deixar uma amostra p/ vocês!!




Mas ainda com todas as qualidades, o Imminent peca somente em um quesito, em um mar de bandas ainda precisamos de algo diferente para se destacar, e infelizmente o Imminent, apesar das composições bem acima da média, ainda lembra e muito o Municipal Waste, um toque dos amigos do Scum é: Distanciar-se um pouco disso, a banda com certeza é uma das melhores do segmento e conta com músicos muito bons, que tem a capacidade de fazer algo com uma identidade mais forte e alcançar vôos cada vez mais altos!!!
Esperamos ansiosos por algo novo vindo de vocês rapazes!

O disco pode ser conferido na integra lá no bandcamp dos caras!!

Nota: 8,352

Infos:
imminentattack.bandcamp.com/
www.facebook.com/imminentattack
www.myspace.com/imminentattack
www.metalmedia.com.br/imminentattack