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segunda-feira, 14 de março de 2016

ENTREVISTA: Armagedom

Conversamos com o Javier da banda Armagedom, esta que está na ativa desde os anos 80. Ele nos falou sobre mudanças na formação da banda, sua trajetória, novidades e sobre o levante fascista que tem atingido até mesmo o cenário underground. Confira essa aula!


SCUM- O Armagedom está ativo desde meados dos anos 80 com mudanças na formação. Como vocês avaliam a mudança do cenário underground nacional?
O que havia de positivo que deixou de existir. O que melhorou e o que piorou? Quais foram os pontos mais importantes na trajetória da banda?

Mudou muito em vários aspectos. A cena está muito maior, mais gente em mais cidades então está mais forte. A Internet ajudou muito a todos terem acesso aos sons, material, conhecimento, idéias, com certeza a internet melhora o acesso de todos, distribui o conhecimento com muito rapidez. Além disso, está muito, muito, muito mais fácil comprar instrumentos musicais, aprender a tocar e até gravar. Hoje é possível gravar na sua casa com qualidade, algo que não existia nos anos 80. A repressão está muito menor o que ajuda as pessoas a se expressarem mais facilmente. Tudo isso levou ao aparecimento de muitas bandas novas e boas o que mantem a cena viva. Mas por outro lado me parece que a facilidade trouxe uma superficialidade, anteriormente como tudo era muito difícil, quem estava nisso tinha que gostar muito e lutar muito pelo que queria, fosse um LP de uma banda, uma camiseta, um patch ou uma guitarra. Então voce valorizava muito todas as suas conquistas. Hoje vejo muitas bandas aparecendo e sumindo de um momento para outro o que acho uma pena. Além disso, a cena está muito mais fragmentada do que era nos anos 80, agora tem os anarcos, os crusties, grind, os straight edges, os metal punks, os raw punks, street e por aí vai... e uns não vão nos shows dos outros. Embora a cena como um todo esteja grande acaba por gerar pequenos guetos que não se misturam e somente criticam os outros o que enfraquece o todo. Acho isso uma pena.
Em relação aos pontos mais importantes na trajetória da banda, nos anos 80 tivemos a participação na coletanea Ataque Sonoro que nos ajudou muito e depois o lançamento do LP SIlêncio Fúnebre que marcou o estilo da banda. O retorno em 99, o lançamento dos discos Das Cinzas ao Inferno, Sem Esperanças, Dez Mil Anos de Terror e o split LP com o Força Macabra, as quatros tours que fizemos na europa e a participação nos festivais Enemy of Sun 2013 em Praga e Puntala Rock na Finlandia e com certeza vários shows em vários lugares!!
SCUM - Em 2015, o baterista Spaguetti deixou a banda para a entrada do Pedro Pedrunk. Quais foram as principais mudanças que essa troca trouxe para a banda?
São dois bateristas muito bons com estilos diferentes.
Em uma banda com muito tempo de existência as mudanças podem ocorrer. Nós preferimos que os novos integrantes tragam suas influências e estilos tambem para a banda, não somos imutáveis ou temos uma linha musical rígida, temos um estilo que pode se moldar com novas idéias, isso aparece ao longo de toda a história da banda.
O Spaguetti trouxe uma velocidade incrível na banda, foi um período bem interessante que pudemos tocar os nossos sons de um modo diferente, foi muto legal esse período, alguns sons ficaram bem rápidos como Mortos de Fome por exemplo!!!
Com o Pedro, retornamos a uma pegada dbeat mais pesada o que remete mais as origens da banda. Tanto os sons antigos quantos as novas gravações estão nessa pegada. Sons como Asilo na Existência e Cegos por Ódio ficaram com uma pegada sensacional!!!
Estamos muito felizes com esta formação atual e os novos sons estão muito legais!!!
SCUM - As letras do Armagedom são, geralmente, críticas. Quem as escreve? Fale um pouco sobre o processo de composição.
No início todas as letras eram minhas (Javier), isto foi a época do Princípio da Agonia, Silêncio Fúnebre. No início dos anos 90 o Eduardo tambem começou a compor letras. Quando retornamos em 99, O Claudinei tambem começou a compor letras, por exemplo no album Sem Esperanças a maior parte das letras é do Eduardo e algumas são do Claudinei. Agora a maior parte da letras é composta pelo Renato Gimenez.
Não temos um processo definido de letras mas todos sabem a proposta da banda e procuram escrever suas letras dentro dessa proposta e assim os sons se formam.
SCUM - A banda possui vários lançamentos entre álbuns, EP’s, splits e coletâneas. Podemos esperar novos lançamentos? Se sim, em que formato?
Estamos para lançar um split EP com o Nuclear Frost, tambem temos material da época do Spaguetti para lançarmos um EP nosso e já temos garvações para um novo disco, talvez um 10" ou LP com o Pedro. Preferimos vinil normalmente mas pode ser que saia algo em CD tambem.
Além disso temos um DVD do show de trinta anos pronto e tambem uma gravação em video do show em Puntala, a idéia é lançar os dois materias juntos ou separados.
SCUM - Qual é a opinião de vocês sobre a insurgência de movimentos reacionários de cunho direitista e até mesmo fascista em meio ao underground? Qual a posição da banda diante desse cenário?
Nós vemos o proto fascismo e a direita reacionária se espalhando em vários lugares. No meio underground isso tambem está acontecendo. Se não diretamente, indiretamente através de mensagens de ódio puro e simples de bandas com as idéias mais idiotas possíveis. Muita gente vai atrás disso, parece que muita gente quer odiar e ter uma bandeira para justificar seu ódio. Já vi isso no passado algumas vezes e está de volta novamente. Temos que combater esse fascismo e tambem combater o ódio puro.
SCUM - Indiquem 3 bandas nacionais que vocês realmente ouçam.
Ultimamente temos ouvido novas bandas como Nuclear Frost, Disturbia Cladis, Social Chaos, Helvetin Viemarit e Fear of Future
SCUM - Quais foram os fests mais legais e bem organizados que vocês participaram nos últimos tempos?
Com certeza foram os festivais Puntala Rock na Finlandia e o Enemy of Sun na Republica Tcheca, foram festivais fantásticos!
SCUM - Obrigado pela entrevista. Esse espaço é de vocês, usem como quiserem.
Valeu pelo espaço, o Armagedom continua na ativa não somente tocamos mas tambem compondo novas músicas, mantendo a banda realmente viva.
Quem quiser entrar em contato, no facebook é armagedom the deathcore, o email é armagedom@hotmail.com e a página web é www.armagedom.org.
Abração!!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ENTREVISTA: Attero - Uberlâdia/MG

Batemos um papo com o Sapão, integrante da banda de hardcore mineiro, Attero. Ele nos contou sobre o cenário independene mineiro, comentou os trabalhos produzidos pela banda e, é claro, indicou bandas pra gente conhecer. 


SCUM - Como se deu a formação do Attero? Conte um pouco sobre o início da banda, formação, principais dificuldades enfrentadas durante esses mais de 10 anos de banda e os momentos mais marcantes.

Eu e o Marquinho tivemos a ideia de formar o Attero durante as viagens de outra banda que ele tocava guitarra na época, o Cirrhosis. Nós já havíamos tocado juntos no Krösta e queríamos voltar a tocar hardcore. Para a batera chamamos o Sergio que também era do Krösta e para o vocal chamamos o Caleb que havia tocado com o Marquinho no 6Real. Em 2004 começamos a ensaiar e em 2006 lançamos o Enemy. Pouco após a gravação do Enemy convidamos o Guilherme (que tocava comigo no Krow) para testarmos como ficaria a banda com duas guitarras. Em 2007 o Carlim (também ex-Krösta) assumiu o vocal e o Allissera (do Dead Smurfs) abraçou a segunda guitarra, e essa é a formação até hoje. As dificuldades foram as mesmas da maioria das bandas da nossa região (aperto para gravar, conseguir lugar pra tocar, divulgar e distribuir material, etc), mas o saldo sempre foi positivo. De marcante posso citar os shows que fizemos... essa sempre foi a melhor parte.

SCUM - O primeiro registro de vocês, “Enemy”, saiu em 2006 pela One Voice Records em uma fase em que a banda se caracterizava mais como hardcore. Com o passar do tempo, notamos mais influência de metal no som do Attero. Qual é a importância desse trabalho para a banda? O que mudou efetivamente de lá pra cá?

Na verdade nosso som sempre teve pitadas de metal pois é um estilo que ouvimos bastante, o próprio Enemy tem uma pegada bem Entombed. Em 2008 quando começamos a compor o EP Ruínas o fato de ter duas guitarras permitiu tramparmos mais com arranjos e solos, talvez por isso tenha soado mais thrash, mas a base continua hardcore. Para os próximos sons creio que vamos manter essa “mistura”.
SCUM - Em 2009 vocês lançaram o EP "Ruínas" que contou com 4 músicas. Em 2011, o álbum "Contraste". Fale um pouco sobre os dois trabalhos. Podemos aguardar um novo lançamento?

O Ruínas, assim como o primeiro disco, gravamos em apenas um fim de semana em um bate e volta insano entre Uberlândia e Goiânia. Ele foi lançado digitalmente em uma parceria bacana com os selos Valvulado e Incêndio. Para gravar o album Contraste novamente fomos para o Rocklab em Goiânia (dessa vez com menos correria) e pudemos contar com as participações de uma galera que a gente admira muito como Guilherme (Krow), Poney (Violator), Gregório (Deceivers) e Túlio (DFC) e Luis Maldonalle, e pela primeira vez prensamos mil cópias. Gostamos muito do resultado desses trabalhos, ambos foram bem recebidos e fizemos bons shows para lançar e divulgar cada um. Ultimamente estamos tentando retomar os ensaios com a frequencia de antes e compor mais, o problema é que não dá pra saber quem da banda é o mais enrolado! Mas o Marquinho já está com alguns riffs no pente e o Carlim tem feito algumas letras, dando tudo certo lançaremos algo em 2016.

SCUM - Como é o cenário hardcore mineiro?

Falando mais especificamente do Triângulo Mineiro sempre tivemos bandas muito boas na região, algumas mais antigas que me lembro de ver foram Dead Smurfs, Uganga, FMI, Cuspindo Marimbondo, Etinocídio, Fúria, Você é Livre?, Flanders, Outra Chance, Dull Kids e a própria Lixo Social que depois virou o Krösta. Também rolou uma safra mais recente com No Defeat, Esquiva, Desventura, Chafun di  Formio, Deadtrack, Funeral For My Memories entre outras. Rolam eventos de responsa como o Udi Rock, Cerradão Hardcore e HC Reunion, alguns destes inclusive abrem espaço para bandas de outros estilos como punk, metal, grunge, etc. E outros que não acontecem mais como o Vida Simples e o Cultura em Peso, mas que tiveram sua importância para a cena local. Sempre foram poucos os lugares abertos para o hardcore, o que nunca impediu a galera de organizar eventos (com muita “criatividade” eu diria) e ainda o surgimento de novas bandas... sinal que a parada segue em frente!
SCUM - Indiquem 3 bandas nacionais que vocês realmente ouçam no dia a dia.

Estou ouvindo muito o último do DFC (Sequencia Animalesca de Bicudas E Giratórias), Garage Fuzz (um “esquenta” para o novo disco, Fast Relief) e Gritos de Ódio (gosto muito do Profundo Inconsciente porém há anos não tenho mais o disco, daí alguém subiu no YouTube!)

SCUM - Obrigado pela atenção. Esse espaço é de vocês! Deixem uma mensagem, passem contatos... Aproveitem como bem entenderem.
Nós que agradecemos pelo espaço. Realmente esperamos gravar em breve e fazer alguns shows. Estar no palco e poder rever e fazer novas amizades é algo que estimamos muito. Quem quiser entrar em contato: atterohc@gmail.com ou https://www.facebook.com/atterohc e para ouvir nosso som http://youtu.be/PPyagHngm7A Mais uma vez obrigado e um forte abraço a todos!


segunda-feira, 27 de julho de 2015

ENTREVISTA: Bandanos (crossover SP)

Seguindo com as entrevistas que além de trazer as novidades e falar sobre a história das bandas, abordam questões ideológicas, trazemos um pouco sobre o que pensa o Bandanos. A banda que possui 13 anos de correria, e está em mais uma tour, separou um tempo pra responder algumas perguntas e nos deixou muito felizes com as respostas (demos ótimas risadas). Confira!

SCUM - O underground brasileiro, foi um celeiro de bandas de protesto, que lutavam pela igualdade muito forte. Ultimamente muitos integrantes de bandas e mesmo o público tem apresentado um comportamento mais conservador e muitas vezes de expressões de ódio contra negros, LGBT´s, por muitas vezes sendo também machistas e classistas (por mais irônico que isso possa parecer). A que vocês atribuem essa mudança de comportamento? Como é a reação do público frente a postura do Bandanos?

Lauro: Cara, creio que esse tipo de atitude seja um reflexo das bandas que ultimamente tem aparecido na “cena hardcore” (digo isso entre aspas pois em hipótese nenhuma considero isso hardcore). Bandas que se utilizam de bandeiras, próprios discursos de direita, homofóbicos e até nazistas/racistas. O hardcore que eu conheci, tem uma postura mais libertaria (não necessariamente anarquista), uma contracultura de tudo que achamos errado e questionamos em nossas músicas e tomamos como modo de vida essas mudanças como boicote (à multinacionais, crueldade animal, drogas etc). Não freqüento mais a cena hardcore como antigamente, mas vejo muita coisa ruim, muitos valores que antes questionamos, sendo trazidos pra dentro do HC. Hoje é mais importante a pessoa ir com um tênis importado, uma camiseta daquela banda gringa, mas não acredito que essas mesmas pessoas gastem seu tempo lendo algum livro, se informando de forma positiva... espero estar errado nesse aspecto que falo agora!

Helder: Não acho que se trata de mudança de comportamento. Acho que por conta do assunto nos últimos tempos ter ganhado bastante espaço para discussão, muito por conta das redes sociais de hoje, muitos apenas começaram a revelar suas posturas racistas, homofóbicas, preconceituosas em geral, tudo fruto de uma sociedade que há tempos é assim em sua maioria. Há muito da tradição do discurso religioso também por trás desses preconceitos e tantos aspectos reacionários, a maioria sequer não para pra pensar e repete esses discursos de ódio e preconceito. O Bandanos, ao contrário, leva em seus shows um pouco de reflexão a respeito disso tudo defendendo a liberdade individual acima de tudo, com responsabilidade, claro.

Marcelo Papa: Eu acho que as redes sociais potencializaram isso de uma forma descomunal. Acho que essas pessoas sempre existiram , mas se camuflavam pra “não queimar o filme” ou algo assim. No metal, principalmente!! Mais recentemente o hardcore/punk também. No meio virtual, você está sempre sendo analisado de alguma forma. Lá você pode achar adeptos pra qualquer ideia que vc tiver (pro bem e pro mal) e isso se inflama! Eu continuo acreditando no punk/hardcore que cresci freqüentando. Libertário e contra-cultural. Essa onda reacionária me deixa em alerta. Eu não irei buscar informação no Revoltados On line e nunca irei reproduzir nada desses canais, bandas , pessoas e páginas que pregam o ódio e soltam discursos vazios de tudo que sai na merda da Veja. Quanto ao nosso publico, eu confesso que as vezes não podemos controlar quem nos segue nas redes sociais. Outro dia postei uma foto com alguns queers amigos nossos. Perdemos 17 likes na página. Achei ótimo! Fiz até uma postagem comemorando os “dislikes” e já dando a letra que se mais gente pensasse igual, poderiam pular fora também. Tanto na página, quanto nos shows, sempre deixamos clara a nossa postura. Também pode ser um filtro anti-otário. Sempre divulgamos algo pras pessoas refletirem. Se elas entenderem , ótimo, se quiserem conversar e abrir uma discussão, também estamos aqui. Senão, é só parar de seguir a banda. Ninguém aqui quer catequizar as pessoas, mas realmente não vejo espaço pra gente compartilhar ideias com gente racista, machista e homofóbica. Não esqueci como é ser punk ainda.

SCUM: Do ano passado para esse, vocês tem feito shows incessantemente por todo o Brasil. Quais são as principais semelhanças e diferenças entre o cenário independente de cada região?

Lauro: Para mim, as semelhanças que o underground tem, é a sede de tocar, mostrar seu trabalho levando aquela frase do Conquest For Death “Many nations, one underground”. O que percebemos a respeito de regiões, são que as cidades pequenas o público chega pra trocar uma ideia, conversa conosco nas banquinhas de merch que montamos nos shows. Após os concertos vem nos abraçam, mesmo suados e fedidos. Não que as grandes metrópoles não façam isso, muito pelo contrário, nos recebem tão bem quanto as cidades pequenas. Porém são mais acatadas as pessoas, que não sei se por vergonha ou frieza não chegam pra conversar. Isso não é via de regra também! Agora, se tem equipamento grande ou pequeno isso não faz diferença pois já fizemos shows muito bons com equipos “simples” e shows ruins com equipos profissionais!

Helder: A principal semelhança parece ser a disposição de alguns ainda em tentar, mesmo em tempos em que a tecnologia domina o tempo das pessoas, fazer acontecer um show, evento, rolê, encontro... para as pessoas estarem mais próximas, curtir um som, ver as propostas das bandas que se apresentam... Os coletivos ainda estão por aí fazendo um bom papel quanto a tentar juntar as pessoas em prol de algo maior que as individualidades delas.

SCUM: Recentemente Mike Clark do Suicidal Tendencies, publicou uma foto usando uma camiseta do Bandanos. Como foi para vocês ter o reconhecimento de um ídolo?
Lauro: Poxa Mike Clark é uma referencia para todos nós do Bandanos que piramos tanto nesse visual Venice quanto nos estilo crossover de tocar. Proximo passo é fazer o Lemmy do Motorhead usar uma camiseta da banda hahahaha!

Helder : Se não fosse o Suicidal Tendencies na minha orelha no ano de 1988 quando escutei o Join the Army pela primeira vez, certamente eu não estaria no Bandanos, talvez sequer teria conhecido o Marcelo Papa, o Cris e o Lauro. Então depois de tanta devoção e adoração ao Suicidal, ver o Mike Clark no estilo mais cyco usando a camiseta do Bandanos é surreal!!! Esse é o aspecto da globalização da informação no mundo que é positivo! Hoje é possível saber o que acontece nas mais variadas cenas mundo afora, e consequentemente o Bandanos acabou sendo conhecido pelo cara que é uma das maiores influências de riffs e levadas de guitarra para o Bandanos. Eu toco um pouco de guitarra também, então consigo perceber a genialidade desse cara com o instrumento! Se existe um cara no mundo que eu gostaria de apertar a mão também é o Mike Clark.


Marcelo Papa: Imagina um cara velho surtando? Foi isso que rolou quando abri nossa caixa de mensagens e tinha um texto do Mike Clark falando algo assim : -“ E ai, caras! Mike Clark falando aqui! Gostaria de TROCAR material com vcs! Tenho discos do ST, No Mercy pra enviar. Podem me mandar discos, camisetas e bandanas?” – hahahahaha . Bicho!! TROCAR? Nem esperei! Fiz uma caixa com tudo que tínhamos na semana seguinte. Eu sempre falo que esse cara é o maior riffman do Crossover. É a maior influencia que eu tive. Meu pai me enchia o saco pra aprender a tocar. Eu pagava de muleque radical e falava que não queria , mas escondido eu pegava o violão dele e ficava fazendo umas bases. Quando apareceu uma fitinha com o “controlled by hatred” eu fui a loucura! Isso me incentivou a tocar! Do outro lado da fitinha , tinha o “join the army”, que é animalesco, mas na moral, a partir do “ how will... ‘ o ST virou outra coisa, as palhetadas do Clark fazem a diferença! Mudou minha forma pensar em musica.




SCUM:  Nesses 13 anos, o Bandanos passou por uma mudança na formação, chegou a parar por um período, mas voltou com força total. Quais foram os piores perrengues que vocês já passaram? E qual foi o momento inesquecível?

Lauro: Posso falar que os piores momentos que passamos, foi uma vez (uma não mais de uma vez, mas deixa esse detalhe pra lá) que perdemos o vôo para Brasília, que eram passagens já compradas ida e volta. Enfim, a vontade de tocar la era tão grande que resolvemos tirar do bolso pra voar pra lá. Conseguimos chegar aos 45 minutos do segundo tempo. Show brutal em Brazlandia, com uma galera que ficou esperando a gente até tarde da noite. Enfim, hora de voltar chegamos no aeroporto e constamos que por perder o vôo de ida, automaticamente o vôo de volta fora cancelado. Acho que nunca rolou tanto estresse quanto naquele dia. O momento inesquecível daquele role foi, comer toda a geléia de morango que a mãe do Márcio (Prod. Do evento em na cidade) fez para o Bill (Nosso Roudie) e ele não pode comer, por causa do vôo.


Helder: Como faço parte da banda num período mais recente, o que posso dizer que o maior perrengue é constantemente aguentar o Papa e o Cris enchendo o saco (risos, muitos!) Se o Lauro fosse cristão certamente ele iria pro céu com honra ao mérito, mas... Pra citar uma história, até agora o pior perrengue acho que foi uma discussão entre os dois às 5h da matina depois do nosso último show de 2014, em Anápolis, em Goiás. Os dois começaram a discutir e estavam por um fio de saírem no soco... lavaram uma roupa suja de uns 20 anos... Affeeee... não tínhamos pra onde ir, onde dormir, o que comer, no meio de Goiás... e os dois parecendo dois irmãos brigando e discutindo porque um deles "comeu a última bolacha do pacote", e eu e o Lauro resolvemos sentar na praça pra assistir aquele evento horroroso... hahahaha... Ufa, a banda quase acabou! Agora eles se amam de novo!

Marcelo Papa : HAHAHAHA!! Quanto a esses depoimentos em que estou envolvido, vou ficar calado! Eu citaria nossa tour pelo Nordeste em 2009, ainda com outra formação. Compraram nossas passagens de ida, e falaram que assim que chegássemos por lá, teríamos as de volta. Mas...adivinha? Claro que as passagens não foram compradas. Como sempre falo, o underground não tem contrato e só a palavra, nós acreditamos e , pra variar, nos fodemos tirando ( MUITA) grana do bolso pra voltar. Esse foi um fator pra banda dar um tempo. Gerou uma atrito interno entre nós. O Lobinho e o Bucho ficaram desanimados (além de assumir que estão velhos pra tocar tanto quanto queremos...hahah). Ficamos 7 meses em processo de troca de membros e voltamos com força total logo depois. Mas temos muito mais coisas boas do que ruins pra contar. O saldo é muito positivo, não tem nem comparação.



SCUM:  Indiquem 3 bandas nacionais que vocês realmente ouçam no dia a dia (essa é uma pergunta de praxe).

Lauro: Cara sempre que escuto essas bandas eu me remeto aos shows muito legais que fizemos junto com elas. Vulcano foi uma banda qie eu escutava por anos e tive o prazer de tocar e viajar com os caras. Foi um show histórico pra mim. Tirei Zero, uma banda de Goiânia muito fudida também, que logo mais sairá um play... hardcore rápido e sem frescura. O DCH (vulgo Heresy brasileiro), tivemos a oportunidade de tocar com eles duas vezes esse ano e além de fazerem um fastcore violento, são pessoas muito queridas, os muleks zikas mais gente boa que a gente conheceu em todo o role!

Helder: Meu gosto é bem variado, então eu quase sempre deixo meu player no aleatório, gosto de ser surpreendido, de ouvir algo que nem lembrava mais. Nessa semana escutei Ratos, Grinders e Korzus. Sepultura também sempre acaba rolando, e por aí vai! Uma vez por mês eu reassisto ao show desses caras em Barcelona, em 1991! Aquilo foi maravilhoso! Vale a pena conferir!


Marcelo Papa: “Statues on Fire” de Santo André. Uma banda que escutei esses dias e certeza e vai ficar no play list por uns tempos é o “Deadtrack”, de Uberlândia. Tipo um Toxic Holocaust brasileiro! Fodasso! Também não posso deixar de escutar meus filhos do” DCH” e “GeorgeXRomero”.

SCUM - Obrigado pela atenção. Esse espaço é de vocês! Deixem uma mensagem, passem contatos... Aproveitem como bem entenderem.}

Lauro: Muito obrigado ao Scum Zine pelo espaço cedido. Esse tipo de informação ainda é um importante veículo de informação, sem rabo preso com grandes mídias de massa, o que torna essa informação mais integra possível, não desviando dos verdadeiros objetivos e valores descritos. Pra galera, deixar bem claro que a música é uma arte, sendo isso não tem como mensurar ou qualificar num sentido de competição. Na arte não existe competição. Leia muito; leia das letras que a sua banda favorita escreve, leia livros como base de referencia de informações, leia os ingredientes que você consome (as vezes você ingere veneno e nem sabe) leia muito e você não será iludido pelo sistema. Povo burro é um povo que deixa usar cabresto!

Helder: Não render-se jamais! Essa é a vida. Seleção natural, a vida seleciona os mais fortes, portanto a resistência tem que continuar. Resista e seja forte! E lembre-se: a força vem sempre do conhecimento, da cabeça, não de punhos e pontapés a esmo por aí!

Marcelo Papa : Obrigado demais pelas perguntas! Zines ou Webzines, são tão importantes quando as bandas pra manter a cena viva. Procurem Bandanos em : www.facebook.com/bandanos_crossover ou @bandanos_crossover
Grande abraço!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

ENTREVISTA: Entedeu? (Grindcore - Praia Grande)




SCUM - O Entendeu? está prestes a completar 10 anos (em 2016). Como é para vocês persistir no cenário Grind por tanto tempo? Quais são os prós e contras?
Cara, eu acho que a gente tem um parafuso a menos, por que se o Grind já é complicado no mundo, imagina na Praia Grande onde mal tem apreciador de Rock no geral. Mas é satisfatório e persistimos justamente porque a gente gosta bastante do som que toca, podíamos tentar tocar algo mais acessível e comercial, mas é só isso que a gente gosta e sabe fazer. Claro que o satisfatório é quando você toca em condições legais, com bandas legais e se possível do mesmo estilo, com um feedback positivo da galera, com uma ajuda de custo, o aprendizado, as amizades. O foda é que, apesar de ser um gênero que já existe há algum tempo, ainda é pouco disseminado aqui no Brasil.



SCUM - Como é o cenário independente em Praia Grande e região?

Putz, na Praia Grind praticamente inexiste. Quando a gente começou tinha bastante banda de vários estilos e gigs também. Claro que o Grind sempre ficou na nossa mão e do Summer Saco que o nosso guitarrista toca baixo hoje em dia. O engraçado é que as bandas que tinham mais “oportunidades” devido ao som foram as primeiras a desistir e a gente que toca o que ninguém quer ouvir tamo aí ainda incomodando até hoje. Atualmente em atividade, fora as 2 de Grind, só me recordo do Maldita Ambição que é um HC Crust brutalzão. Mas no restante da Baixada Santista em geral tem muitas bandas de várias linhas e grupos bons de Rap. Tem também o coletivo D-Beach Chaos sempre fazendo eventos que fortalecem bastante o underground caiçara.



SCUM - O último lançamento do Entendeu? é uma compilação extra-oficial com os sons da banda e o tributo ao Agathocles (2014). Quando teremos material novo?Então, a última coisa inédita de verdade que lançamos foi a demo “Matando Emos” em 2009. Devido a vários hiatos e mudanças na formação estamos tanto tempo sem lançar nada novo, mas dá pra esperar algo pro final desse ano ou começo do próximo. Estamos na fase de lapidar os sons novos com um time muito empolgado e comprometido ensaiando pesado há mais de 1 ano pra entrar em estúdio o quanto antes. O formato ainda é indefinido, não sabemos como vamos lançar. Se algum selo quiser apoiar, a hora é essa rs.




SCUM - As músicas de vocês possuem um alto teor de sarcasmo (vide vinhetas) e também são muito críticas em relação a religião, alienação, violência, dentre outros temas. Como é para vocês ver o avanço do conservadorismo dos últimos tempos em nosso país?
Tipo, a parte sarcástica fica só nas vinhetas mesmo, mas nas letras sempre houveram críticas mesmo que escritas de forma irônica ou com títulos chamativos e cômicos. O problema é que o povo já não leva o Grind muito a sério por ser extremo e o vocal difícil de entender, aí interpretam tudo errado. Então deixamos essa parte meio de lado porque o que não falta é inspiração pra letra com tanto conservador em pleno século XXI defecando pelas teclas na rede social um pensamento tão intolerante dos anos 40. É que a sociedade tem como base política e filosófica a mídia elitista que molda o brasileiro a sua maneira e o conduz como peças em um xadrez contra ele mesmo.

SCUM - Vocês poderiam indicar 3 bandas nacionais que realmente ouçam?

Ricardo: Homicide, Hutt, DFC
Spock: Coronhada, Ratos de Porão e Gangrena Gasosa
Edu: Ratos de Porão, Infamous Glory e Sodomizer.
Afonso: Krisiun, Lacerated And Carbonized e RDP.

SCUM - Obrigado pela atenção. Esse espaço é de vocês! Deixem uma mensagem, passem contatos. Aproveitem como bem entenderem.

A banda é que agradece a oportunidade de divulgar nosso trampo e o interesse em saber mais sobre nós. Bom, o Entendeu? tá de volta e sem a mínima intenção de parar de novo. Muito mais maduro, rápido e brutal do que nunca. Novidades infernais se aproximam. Quem quiser apoiar, lançar, convidar pra evento, comprar o merchan que ainda não temos, fazer um elogio ou critica pode procurar a página no facebook https://www.facebook.com/pages/Entendeu/100303616752749?ref=hl ou mandar e-mail para grind_otelo@hotmail.com quem ainda não conhece, seguem 2 links com tudo que já gravamos: https://www.youtube.com/watch?v=_8eiZ1t2KBg https://www.youtube.com/watch?v=4NESNsiZWic Abraço, vlw!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

ENTREVISTA: Desalmado - Grindcore SP




SCUM: O último lançamento de vocês, o "Estado Escravo", aborda diretamente o capitalismo e passeia por vários âmbitos em que a "doutrina da vitória" explora e trás a tona o pior do homem e acaba em "Extinção". Como foi o processo de composição do EP?
Caio: Esse álbum foi pensado do começo ao fim, passamos praticamente um ano ajustando o detalhe de cada música, foi a primeira vez como quarteto e tínhamos tempo e espaço pra pensar e construir algo denso, orgânico, com um clima pesado. Os sons são um reflexo dos tempos atuais, as letras, o ambiente criado foi um presságio do atual momento mundial. É claro que isso é difícil de ser compreendido pela maioria dos nossos fãs, mas esse é o meu álbum preferido do Desalmado em todos os sentidos, consegui encaixar nas letras todo o meu conceito de mundo, de uma forma muito objetiva. É um álbum que vai contra a cultura do capital e sua principal ferramenta de alienação ideológica, que é a religião. Vale lembrar que ele sairá em material físico logo mais e vai contar com 2 músicas bônus. SCUM: Em tempos em que (infelizmente) temos visto bandas de grindcore e outras vertentes que anteriormente buscavam ser uma frente de luta contra todo o conservadorismo, hoje possuem discursos de ódio e defendendo a "família de bem", vocês acreditam que o público de vocês captou a mensagem do EP Estado Escravo? Caio: Não sei, talvez uma parcela, é difícil mensurar essa questão porque as pessoas se apropriam da música pelo sentimento, ignorando completamente o conteúdo da mensagem. Acredito que poucas pessoas entendem a postura politica progressista do Desalmado, mas acho isso quase que normal, ta cheio fã do Ratos, Napalm Death, Violator que são mais conservadores que minha vó, apesar de achar isso completamente maluco, não é de se surpreender muito. O que me deixa com um ponto de interrogação são algumas bandas do nosso meio ser parte desse conservadorismo, é algo que não faz sentido, o cara esta em um meio libertário e defende pautas conservadoras reacionárias? Nesse caso, se torna algo bem fora da curva, mas cada um faz o que quer do seu som, de certo mesmo, é que estaremos em uma via completamente oposta a esse pessoal e de preferencia, bem distante.

SCUM: Vocês divulgaram na página do facebook da banda um trecho de "Homicida", música que estará no split com o Homicide (SC). Como surgiu a ideia do split? Quantas músicas de cada banda ele conterá e haverá formato físico? Caio: A homicida na verdade vira no material físico do Estado escravo, junto com um cover do Venomous Concept como bônus. Sobre o split com o Homicide, foi uma ideia que não lembro se partiu de mim ou do William, mas decidimos fazer algo entre as duas bandas e serão 6 músicas para cada lado. Sou fã do Homicide, tivemos a oportunidade de tocar juntos uma vez, espero conseguir fazer uma tour com os caras para divulgar esse split. Acho que vai ser extremamente foda, provavelmente terá algo físico, estamos em contato com alguns selos. SCUM: Esse ano o Desalmado completou 11 anos, tendo aberto shows para bandas renomadas como Obituary, Entombed e Magrudergrind. Como vocês avaliam as mudanças na cena independente do início da banda para os dias atuais? Bruno: Muitas bandas surgiram por conta da moda e acabaram rapidamente. Cada vez mais temos menos locais para tocar, são poucos os que ainda resistem e tentam fazer alguma diferença. Só que, mesmo com um cenário como este, muitas bandas continuam resistindo, passando a sua mensagem, algo que é muito importante, pois vivemos em tempos em que as pessoas preferem compartilhar idéias de outros a formular as suas próprias. De positivo vejo que tem surgido muitas bandas que tem um propósito parecido com o nosso, de fazer som extremo com uma mensagem relevante. O grande desafio é tentar tirar a “cena” do Facebook para a realidade.
SCUM: Como é de praxe em nosso blog, indiquem bandas nacionais que vocês realmente ouçam. Bruno: Bem, vou falar por mim, Crânula, Angry, Subcut, Test, Hutt, Doidin, Manger Cadavre?, Cursed Slaughter, Homicide, Facada, Expurgo, Meant to Suffer, Infamous Glory, Setfire, Giallos, Desgraciado, Surra, Huey, Labirinto... Com certeza me esqueci de muitas bandas, é aquilo que eu disse, o lado positivo da cena atual é que tem muita banda boa na ativa! SCUM: Obrigado pela atenção. Esse espaço é de vocês! Deixem uma mensagem, passem contatos... Aproveitem como bem entenderem. Bruno: Nós é que agradecemos o espaço! A mensagem é essa, fazer como vocês, não desistir, resistir, lutar por aquilo que você acredita. Parabéns pela iniciativa de vocês. Para quem estiver lendo esta entrevista, muito obrigado pelo apoio, não existe banda se não tem quem prestigie o trabalho. Somos uma banda que gosta de palco e não viver de internet. Então, prestigie as bandas locais, não tem internet que substitua a experiência de ver um show ao vivo. Falando em internet, para saber as nossas novidades e ouvir o nosso som seguem alguns contatos. In Grind We Trust! 

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

ENTREVISTA: Lepra

Conversamos com o Ítalo, baixista e vocalista da banda de grindcore oriunda de recife, Lepra. Ele nos contou como foi participar da edição desse ano do Abril Pro Rock, sobre a cena underground em seu estado, letras das músicas e os planos da banda.

SCUM: Fale um pouco sobre como surgiu o Lepra e o início da banda.
A banda surgiu na cidade de Moreno no ano de 2005 com a proposta de fazer um hardcore meio que metal sem muita pretenção de ficar famoso e talz,agente queria mesmo era tomar caxaça (rsrs) e fazer uns barulho  aos poucos a banda foi ficando um pouco mais séria, foi tomando cara de banda, o grindcore, inevitável, tendo em vista as influências dos integrantes(um batera que escutava black metal e um baixista que curtia punk, hc, RDP, era disso pra pior), houveram diversas mudanças na formação, hoje o lepra é um power trio (marcelo, Italo & Raphaell). No início da banda era tenso , porque na cidade o único stúdio que tinha não deixava que agente ensaiasse lá , os caras tinham medo que nós quebrassemos os equimentos, mas essa foi uma dificuldade superada, ensaiavamos muitas vezes na garagem da casa do baterista com uma bateria caindo aos pedaços uns amps bem podres , lembro que agente usava uma bobina de microfone em um cabo de vassora com fita "durex", era tosco , mais era foda. Quando agente se deu conta já estavamos tocando grindcore sem nem perceber e fazia um bom tempo. 

SCUM: Quais são os planos para o futuro da banda?
A gente da banda meio que "deixa rolar" e ver no que dá, único plano que temos no momento é promover a banda através de shows e do nosso ep , carniçeiro, em breve lançaremos, estamos em processo de gravação. final do ano ou mesmo em janeiro 2016 lançar um cd prensado e pá.

SCUM: Qual é a temática da letras?
Algumas retratam a solidão, como é se sentir sozinho no mundo onde o suicidio é a única saída, outras falam do país tosco em que vivemos, outras são explosoes de ódio em tons de ameaça ,a religião que ludibria o individuo fudido, o cara que sorrir enquanto é esfaqueado e por ai vai,...é a nata da desgraça humana.

SCUM: Esse ano vocês participaram do Abril Pro-Rock. Fale um pouco sobre a experiência de tocar nesse festival.
Foi a primeira vez que tocamos em um evento desse porte, no início ficamos meios tenso mas depois nos soltamos, com certeza um dos melhores show da banda. Pra nós é um reconhecimento comemoramos 10 anos de banda no APR, foi fudido de mais, só temos a agradecer a produção do evento, foi atenciosa com a banda nos tratou bem.



SCUM: Cite três bandas nacionais que vocês realmente ouçam.
Uma banda que marcou e lembro que nós escutávamos direto era o cd demo do FACADA ,até hoje escutamos. D.E.R e PLASTIC NOIR não podem faltar nas baladas.

SCUM: Como é a cena independente em Recife?
A  cena oscila bastante tem época que tem show pra kct e tem épocas que não tem quase nada, em geral o underground é muito forte no recife, as únicas dificuldades são os picos pra realizarem os eventos, ou são escondidos , ou são caros. Apesar disso o underground vive.

SCUM: Obrigado pela entrevista. Esse espaço é de vocês! Usem como quiserem.
A gente agradece o espaço cedido pelo site à banda. Queriamos agradecer também a você que acabou de ler essa entrevista e aos nossos amigos que sempre nos apoiaram. GRIND ABRAÇO !!!

Mais sobre a banda:
https://www.facebook.com/lepragrind?ref=ts&fref=ts
http://lepra.bandcamp.com/ 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

ENTREVISTA: Death by Starvation

Há pouco tempo conhecemos o Death by Starvation, banda que existe desde 2012 e apresenta um Black Metal com referências dos anos 90, mas que foge aos padrões do estilo no Brasil (muitas vezes mais teatrais que com qualidade sonora). Ficamos fãs. Confira a entrevista que fizemos com uma das figuras da banda.



SCUM - Vocês se denominam como numerais (as figuras) ao apresentar os integrantes da banda. Qual é o motivo do 'anonimato'?
A banda surgiu como uma experiência para todos os integrantes. Não era algo concreto e que se estenderia por muito tempo. Queríamos apenas criar um disco homenageando a escola do Black Metal do início dos anos 90. E por isso decidimos não atrelar nenhum nome a banda. Seriam apenas figuras passageiras que criaram um disco. Mas aos poucos começamos a gostar da ideia de escrever esse tipo de música e decidimos transformar a experiência em banda. Como já havíamos assinado como numerais, decidimos manter assim.

SCUM - Sabemos que a banda começou em 2012. Fale um pouco sobre o início da Death by Starvation.
O Death By Starvation nasceu com o propósito colocado acima. Apenas para satisfazer o desejo dos membros que sempre estiveram envolvidos em outros estilos musicais e que queriam gravar um disco de Black Metal que soasse como o Darkthrone, Mayhem, Satyricon e Impaled Nazarene já soaram. Em menos de 6 meses estávamos em estúdio gravando o álbum.

SCUM - Como é o público do black metal em São Paulo? Há abertura para o estilo nos festivais?
O público Black Metal de São Paulo ainda é um público fechado, que circula e se envolve apenas dentro do estilo ou de outros estilos mais próximos, como o Death Metal. Todos os membros da banda são pessoas que estão nesse cenário há muito tempo mas que tem uma abertura muito maior para outros estilos. Talvez por isso seja mais natural que o Death By Starvation se envolva em shows com bandas fora do cenário Black Metal. Recentemente tocamos no Black Embers Fest, onde éramos a única banda de Black Metal e tivemos uma ótima recepção do público. Então não vemos problemas em participar como uma banda de Black Metal em um festival que não seja direcionado apenas para esse estilo.

SCUM - Sobre quais temas as letras abordam?
As letras do disco falam sobre a filosofia de Hegesias de Cyrene, um filosofo cínico que estabeleceu a máxima: a verdadeira felicidade (amizade, amor, gratidão e altruísmo, e outros valores que caberiam dentro dessa categoria) é inatingível para o homem, pois este conceito está atrelado a uma moral construída socialmente. Na sua visão, esse código moral é então constituído não em prol da sociedade e da felicidade de seus indivíduos, mas sim de interesses egoístas - mostrando que a felicidade é inatingível, pois é uma falácia. O homem sábio, portanto, não a busca, mas sim a evita sempre que possível.
Com isso, esse filósofo escreve um livro chamado Death By Starvation que em resumo diz que a vida social é uma mentira, tanto a vida como a morte são objetivos igualmente desimportantes de serem buscados (afinal, se todas as noções de bem e mal são socialmente construídas e assim, mentirosas, de que adianta tudo isso não?). Portanto, nada mais claro que as coisas são destituídas de valores, e que a morte tem igual valor a vida. Esse argumento levado a cabo leva a completa dissolução social de forma violenta e suicida.


SCUM - Comente sobre o processo de gravação do full-length (lançado em 2013).
Nós escrevemos as 5 músicas do disco em menos de 6 meses. O II tinha muitos riffs e pedaços de riffs soltos que fomos montando a medida que nos reuníamos. Então foi simples construir e estruturar o álbum. Depois de alguns meses e muitos ensaios, entramos em estúdio para gravar. As letras ficaram todas a cargo do ex vocalista.

6- Obrigado pela atenção. Esse espaço é de vocês! Usem como quiserem.
Muito obrigado pelo contato. Estamos iniciando a construção de um novo trabalho, com novos membros e que deve sair ano que vem. Esse ano lançaremos nosso debut e quem quiser acompanhar as novidades da banda e próximos shows, basta seguir a página a banda https://www.facebook.com/DeathByStarvation.
Abraços.

Mais sobre a banda:
https://www.facebook.com/DeathByStarvation
http://deathbystarvation.bandcamp.com/

segunda-feira, 16 de março de 2015

ENTREVISTA - Disforme (DF)

Se tem algo que nos deixa contentes é quando bandas boas voltam! É o caso do Disforme de Brasília (DF), que após alguns anos inativos, resolveu voltar e com novidades. Confira a entrevista que fizemos com o Roberto, guitarrista da banda, que nos falou sobre a retomada das atividades, ideologia, planos de lançamentos e ainda indicou bandas pra gente conhecer. 


SCUM - O Disforme começou suas atividades em 2005. Conte como foi o começo da banda.

DISFORME: 
Em 2005 a Tainara teve a idéia de formar a banda junto com o Marcelo e o Petrônio. Convidaram o Rodrigo para guitarra e pouco tempo depois o Danilo assumiu seu posto ainda em 2005. A banda gravou uma demo com essa formação e em março de 2006 o Negrete substituiu o Danilo que saiu da banda para se dedicar aos estudos.

SCUM - 
Em 2010 vocês encerraram as atividades que foram retomadas em 2014. Qual foi o motivo para o término? E a retomada?

DISFORME: 
A gente precisou dar um tempo, Tainara estava cansada e o Petrônio precisou de um tempo para se dedicar a vida pessoal. No ano de 2010 mesmo, Negrete e Marcelo até tentaram prosseguir sem a Tainara e o Petrônico, mas não deu certo e enterraram a banda no final de 2010.

SCUM - 
Na última semana observamos muitas pessoas compartilhando a música '64 Nunca Mais' de vocês no Twitter e Facebook, em resposta ao conclame da intervenção militar e a (praticamente) convocação da Globo e Folha de São Paulo para que as 'pessoas de bem' fossem às ruas lutar contra a corrupção. Qual é o posicionamento ideológico da banda?
DISFORME: 
A banda, desde o começo, declaradamente assumiu uma posição ideológica de esquerda. Somos totalmente contra a politica opressora da direita. É um absurdo essas manifestações pró-ditadura, essas pessoas só podem estar hipnotizadas pelo plin plin. Que loucura tudo isso! Esse pessoal quer ditadura militar, né? Na favela tem intervenção militar todo dia, pergunta pra essa galera se eles querem morar lá? Marcha contra a corrupção? Todo mundo lindx, com a camisa da CBF. Seria cômico se não fosse tão trágico. 



SCUM - Recentemente vocês anunciaram que lançarão um CD Split com a banda Manger Cadavre? do interior de São Paulo. Como surgiu a ideia do Split? Quando ele será lançado? Haverá uma tour para lançamento? 

DISFORME: Conhecemos o Manger na internet, achamos a banda muito agressiva, com vocal feminino, tudo que gostamos. Logo nós procuramos saber quem eram xs integrantes da banda. Conhecemos a Nata que já tinha ouvido nosso trabalho e aí surgiu uma grande amizade além da idéia do split. O split nada mais é que a consolidação de um material de duas bandas que se identificam muito ideologicamente e que se tornaram amigas. Faremos apresentações junto com a Manger Cadavre? e queremos trazer eles pra tocar em Brasília de forma totalmente independente, sem pedir ajuda pra secretária da cultura. Faremos tudo realmente DIY.
SCUM - 
Quais são as dificuldades encontradas por vocês no atual cenário underground?
DISFORME: 
Nossa maior dificuldade atualmente é encontrar um tempo pra dedicar a banda. Esse mês íamos comemorar 10 anos de banda, com um evento simples com uma ou duas bandas de abertura, mas pela falta de tempo e o envolvimento com a gravação, faremos esse som até dezembro (se der!). 

SCUM - 
Como é de praxe em nosso blog, indique 3 bandas independentes nacionais que vocês realmente ouçam.

DISFORME: 
Difícil hêin... Mas vamos lá: Signo XIII, Entre Os Dentes e Ímpeto.

SCUM - 
Obrigado pela atenção e esse espaço é de vocês. Usem como quiserem.

DISFORME: 
Valeu pela entrevista. A gente é meio empenadx pra responder essas coisas, mas o recado é que logo menos o split com a Manger Cadavre? estará circulando pelas distros nas banquinhas mais obscuras do hardcore/punk.

Mais sobre a banda:

https://www.facebook.com/oficialdisforme

http://disforme.bandcamp.com
/
https://twitter.com/DisformeDF
https://instagram.com/disforme64/

domingo, 8 de fevereiro de 2015

ENTREVISTA: Hutt

A entrevista de hoje foi como o Marcelo Appezzato da banda Hutt. Quem já é fã do trampo dos caras pode se animar, pois vem play novo por ai. Ele nos contou sobre o processo de gravação do "GORDAGRIND", letras, shows, arte...

SCUM - O Hutt está em estúdio gravando um novo play. Quantas músicas esse trabalho conterá? Fale um pouco sobre o processo de gravação.
Marcelo- Acho que são 27 ou 28. A gravação foi diferente dessa vez. Eu entrei em estúdio com o instrumental todo gravado. Tipo Axl Rose. E também teve o Choukri que terminou de gravar sua parte na bateria e saiu da banda. O disco vai chamar GORDAGRIND.

SCUM - Haverá uma turnê de lançamento?
Marcelo-Turnêeeee, gigante, com troçentos shows por aí eu não sei. Mas pretendemos fazer vários pequenos roles cheios de aventura. Mas temos que estar em São Paulo na segunda de manhã pra chegar a tempo no subemprego.

SCUM - Sobre quais temas as letras abordarão? Quem as escreve?
Marcelo- Sou eu quem escreve e os temas provavelmente continuarão os de sempre: sangue, zumbi, mendigos, pombos, crack e filosofia de boteco.

SCUM - Podemos esperar um encarte com a mesma estética de quadrinhos e referências a filmes que os outros trabalhos possuem? Quem ficará a encargo de produzir a nova arte? 
Marcelo- Por mim a gente continua roubando imagem de gibi legal até o fim. Ainda não pensamos em uma capa pro disco. Mas provavelmente vamos roubar mais uma vez de algum gibi massa.

SCUM - Indique 3 bandas de grindcore nacionais que vocês ouçam.
Marcelo- Três é difícil mano, vamos lá: Subcut, Facada, Test, DER, Expurgo, Siege of Hate, Cruel Face, Crânula, ROT, Baixo calão, Flesh Grinder… tem mais um monte de banda legal.

SCUM - Agradecemos a atenção e deixamos esse espaço para falarem o que quiserem.
Marcelo- Valeu pela entrevista mano. Serão os esquimós índios em iglus?

Mais sobre a banda:

https://www.facebook.com/huttgrind/

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

ENTREVISTA: Facada

Quando se pensa em grindcore nacional, é impossível não lembrar do Facada. Ativa desde 2003, com um som pesado e sem frescuras, a banda é uma das referências em som extremo do nordeste brasileiro. Confiram a entrevista com os caras. 



SCUM - Fale um pouco sobre o início da banda e quais as principais dificuldades enfrentadas por vocês.
A banda começou em 2003 comigo (james), ari e dangelo. temos 1 demo, 3 discos, alguns shows nas costas e desde lá a gente toca grindcore. A formação hoje é james, david na bateria e danyel e ari nas guitarras. Não lembro de nenhuma dificuldade específica relacionada ao facada, acho que mais coisas de dia a dia mesmo: horários, agendas, perna quebrada...

SCUM- O nordeste é muito rico em relação a música extrema. Indique três bandas da região que vocês gostem.
Eu vou tá sendo muito injusto se escolher só 3, pois a cena nordestina é muito boa e variada. Muita gente fazendo música de qualidade. Vou escolher 3 bandas mortas, pra me redimir: feculent goretomb, nephastus e the cross.

SCUM - Há um rumor que vocês farão uma tour pelo sudeste. Confirma? Se sim, quais serão as cidades contempladas?
Estamos organizando umas datas, mas estamos finalizando as músicas dos materiais que estão pra sair aí acho que por enquanto pelo menos no primeiro semestre vamos se concentrar nisso. Tem umas datas marcadas, mas não quero confirmar nada ainda.




SCUM 
- "Nadir" já é considerado um clássico do grindcore brasileiro. Fale um pouco sobre o processo de composição e as letras.
Valeu, que bom que gostou. Gravaçao é sempre um pouco complicada, porque o Ari quando vem aqui, ensaia c/ o Dangelo e grava logo, depois a gente grava nossa parte aqui, eu e o Danyel. Depois junta tudo pra mixar. Essa peculiaridade de espaço/tempo é que demanda um pouco mais de tempo. Nadir vem do árabe e é uma alusão ao ponto mais baixo. Muitos autores usam como analogia ao mais negativo, ao cume da inferioridade que uma pessoa possa chegar. Esse é o significado. Tentamos cômpor o disco com essa vibe positiva nas letras e composições.

SCUM 
- Quais são os planos para o futuro?
A gente tem 2 splits e um só de covers pra terminar, este é o plano agora. O Indigesto e O Joio vão ser relançados e temos uns shows pra fazer.

SCUM - Obrigado pela entrevista. Esse espaço é de vocês. Usem como quiserem.
Agradeço a entrevista, procurem facadanagoela na internet e valeu a todo mundo que curte a banda e nos apóia.