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segunda-feira, 3 de junho de 2013

ENTREVISTA: Plague Rages

Conversamos com o Emmanuel, guitarrista de um dos grandes nomes do grindcore nacional, Plague Rages. A banda que existe desde 1996, possui influências de Napalm Death, Agathocles, Nasum, Rotten Sound, Extreme Noise Terror, Obituary e diversas outras. Confira:


SCUM- Conte um pouco sobre o início do Plague Rages.
Emmanuel: Ola, antes de tudo gostaria de agradecer a oportunidade de conceder a essa entrevista. Bom o Plague Rages começou em 1996, na época éramos 4 pós adolescentes que curtiam death metal e grindcore que não conheciam nada da cena, estúdios, locais de show, nada, absolutamente nada, nos conhecemos através de um anuncio na galeria do rock em São Paulo e todos tinham muita vontade de tocar um som rápido e barulhento. No começo tudo era muito precário, não tínhamos local para ensaiar e isso dificultava, íamos de trem ensaiar em Osasco (todos na época moravam bem longe de lá) num estúdio muito tosco que existia lá, essa formação durou menos de um ano quando o segundo guitarrista saiu. No começo nossos sons eram mais death metal (fomos muito influenciados pela cena death metal do começo dos anos 90) misturados com grindcore, tivemos muitas mudanças de formação desde então, sendo que eu sou o único da formação original que ainda esta na banda.

SCUM- Em março a demo Tecnologia (a Serviço do Caos) completou 15 anos. Conte um pouco sobre a evolução da banda e a importância desse material.
Emmanuel: Sim, essa demos acabou de completar 15 anos e como costumo dizer sempre, esse material foi o que mais teve influencia de death metal, uns 6 meses antes dessa demo tínhamos lançado uma tape com 2 sons apenas e que os sons eram mais lentos (na verdade não sei por que na gravação o batera tocou bem mais lento do que tocávamos ao vivo hahah), como não ficamos contentes resolvemos gravar novamente e com isso o resultado foi a demo Tecnologia (a serviço do caos). Nessa tape nós gravamos sons que tocávamos desde o começo da banda sendo que alguns (a maioria eu acho) foi composta por cada um de nós sozinhos antes de montarmos o plague rages (alguns desses sons eu compus com 15 anos) e como mencionei, quando eu tinha 15 anos eu (e provavelmente os ex integrantes do plague também) ouvia muito death metal, creio que essa veia mais death metal nossa tenha vindo dessa época.
Posso dizer com certeza que essa demo abriu muitas portas para nós, através dela muita gente nos conheceu, chamou para show, lançou sons em coletânea, etc. Eu vejo hoje esse material com uma boa qualidade, as musicas eram até boas e fizemos um encarte legal para a época - não tínhamos scanner, internet, etc as fotos do encarte foram recorte de jornais (eu colecionava fotos para usar em cartazes de shows, encartes, etc). A gravação não é das melhores mas os estúdios na época eram caríssimos e não existiam estúdios que entendessem de barulheria. O nome da demo eu tirei de uma matéria da Super Interessante que falava sobre materiais bélicos que eram usados em guerras para exterminação em massa, o nome da reportagem era “Tecnologia a serviço do mal”.


SCUM - Fale um pouco do cenário grindcore nacional (bandas, públicos, produtoras...)
Emmanuel: Na minha opinião hoje temos bandas realmente muito boas de grind nacionais que não devem nada, mas nada mesmo, para bandas de fora, acho que a quantidade de bandas hoje também é bem maior do que a pouco tempo atrás, isso mostra que o grind esta digamos mais “popular”, basta verificarmos a quantidade de materiais que as bandas brasileiras estão produzindo, a quantidade de tours que as bandas fazem, etc, isso tudo hoje é bem maior do que a 5, 6 anos atrás. Porém o problema no meu ponto de vista é o mesmo a mais de 15 anos: Não existe local para tocar, pelo menos em São Paulo isso acontece a muito tempo, claro que a galera tem sua grande parcela de culpa, pois ninguém quer pagar 5 pilas para entrar num show (preferem tomar em cachaça) e isso meio que acaba com os locais de show. Em São Paulo existe um, no máximo dois locais de shows.

SCUM - Em fevereiro desse ano vocês lançaram o primeiro videoclipe da banda. Comentem sobre a popularização do acesso aos meios de comunicação e marketing, e sobre em que isso ajuda e/ou atrapalha as bandas.
Emmanuel: Eu particularmente acho muito legal toda essa facilidade tecnológica que temos hoje, antigamente, apesar de eu achar mais “real” pois a galera dava mais valor, tínhamos que nos corresponder por carta, só conhecíamos uma banda nova se fizemos uma troca de fita k7 com alguém ou se recebêssemos um flyer e escrevêssemos para a banda (fiz muito isso), hoje você consegue conhecer uma banda, pegar uma gravação, show, entrar em contato com a banda sem sair de casa, basta digitar o nome da banda no Google e você descobre tudo e mais um pouco sobre o que você quiser. No meu ponto de vista isso ajuda sim uma banda, e muito, a parte negativa, no meu ponto de vista é que a galera perdeu o tesão em pegar o material “físico” das bandas, preferindo baixar na internet de forma gratuita, eu acho que devemos achar um meio termo para esse tipo de coisa, ao mesmo tempo que acho legal baixar material pois não deixa de ser uma forma de divulgar a banda acho que a galera deve adquirir sim o material físico também, isso ajuda a banda, o selo e também a cena a continuar progredindo. Eu baixo coisas na internet e hoje compro muito mais discos do que comprava a 10 anos atrás, quando se iniciaram os downloads.


SCUM - Quais são os próximos planos do Plague Rages?
Emmanuel: Esse ano demos uma freada nos shows, até porque o ano passado foi intenso demais, fizemos tour no Chile, Europa, Sul do Brasil, Rio de Janeiro, etc, então vamos nos dedicar mais a fazer sons novos e gravar para os splits que prometemos, acabamos de gravar para os splits com o Mindboil dos EUA e com o Powercup do Canadá, ainda temos mais uns 3 splits para compor e gravar (todos graças a contatos que fizemos na Europa).
No segundo semestre pretendemos tocar mais ao vivo.

SCUM - Cite e comente sobre 3 bandas independentes nacionais que você indica.
Emmanuel: Putz, ai você me coloca numa situação complicada, sou amigo de quase todas as bandas de grind nacionais, vou citar algumas que eu curto beleza? Vale lembrar que eu acho foda quando a banda faz correria, acho que fazer musica qualquer um faz, quero ver correr atrás de lançamentos, shows, tours, etc. Voltando ao assunto gostaria de citar as bandas: Expurgo, Obitto, Obliteração, Forbidden Ideas, Macgayver the Animal, Into the End, Social Chaos, Facada, Homicide, Prey of Chaos, Baga, Expose Your Hate e muitas outras, já peço desculpas se não citei alguma, mas como disse hoje temos muitas boas bandas de grind e com certeza esqueci de várias hahahah.

SCUM - Qual foi o melhor show que vocês já fizeram? E o mais importante?
Emmanuel: Foram inúmeras apresentações ao vivo durante esses 17 anos, algumas com certeza foram melhores do que outras, acho que cada uma tem seus pontos positivos e outros que não são tão bons, eu acho que por exemplo o show nosso no Obscene Extreme de 2012 foi a realização de um sonho para todos nós do Plague, a prova de que conseguimos sempre o que quisermos, basta correr atrás. Tocar com o Agathocles foi foda também, puta aula de grindcore os caras ao vivo, fizemos uma tour pelo Brasil com o Pulmoary Fibrosis em 2011 que foi foda demais, tocamos em Maringá que foi louco.



  • SCUM - Esse espaço é de vocês. Usem como quiser!
    Emmanuel: Gostaria muito de agradecer ao espaço dessa entrevista e também agradecer pela paciência de todos que leram essa entrevista. Quem quiser entrar em contato sinta-se livre para isso. Combatam o racismo e toda a forma de preconceito. Abraços!!!