No início da noite do
dia 27 de julho aconteceu a edição brasileira do festival Brutologos, de origem
espanhola. Catorze bandas se apresentariam na noite, isso mesmo, catorze! O
detalhe mais bacana é que todas são do underground! Loucura? Louco! Ao adentrar
à Arena Metal, os presentes se deparavam com uma faixa que dizia "Existem
coisas que não tem explicação, essa é uma delas!".
Insanity Force
A primeira banda a se
apresentar foi o Chaoslace, que teve uma performance eficiente, apesar
do som não ter ficado bem definido, parte por conta da aparelhagem. Na
sequência a banda Insanity Force marcou presença com sua frontwoman
Jaqueline, que surpreendeu a muitos dos presentes com a potência de seu vocal e
habilidade com as cordas. A baixista e o baterista mostravam-se muito seguros,
deixando claro para quem ainda tinha dúvidas (se é que alguém ainda tinha), que
o death/grind da banda não está para brincadeira.
Infernal Course
A Divine Uncertainty foi a terceira banda a subir ao palco, apresentando
seu death metal de forma precisa, sendo seguida pela revelação do fest: Infernal
Course! Em um misto de death com pitadas de black metal, o vocalista Duzão
deixou o público estasiado com sua performance 'possuído pelo cão'. Todos os
integrantes executavam uma presença de palco que fazia com que todos voltassem as
atenções para eles, o resto não importava! Chegou a vez do Desgraciado se apresentar, com um hardcore que apresenta alguma influência de grind e thrash, a banda fez uma apresentação paulera, que agradou aos presentes.
Após, foi a vez da primeira banda que teve um grande destaque, iniciar o show: Desalmado! Grindcore na pegada Napalm Death, com uma pegada de thrash, fez com que pela primeira vez, até então, o público de empolgasse e abrisse um circle pit, invadisse o palco, pulasse no stage dive e enlouquecesse! É muito bacana quando o público conhece as letras das músicas e canta junto. O instrumental estava impecável, os vocais de Caio estavam impressionantemente precisos, e mesmo quem não conhecia as letras conseguia discernir o que era cantado. Brutalidade ao extremo.
Desalmado
A sequência deu-se com o trio Cativeiro, que trouxe um som
diferente, mas que não foi bem entendido, talvez por conta do fato do
equipamento não ser o ideal para o tipo de som, que em alguns momentos estava
embolado. A banda NervoChaos foi a próxima e trouxe seu death metal
clássico para os palcos que agradou ao público que aglomerou-se para assistir a
apresentação.
Le Mars
Perto das duas horas da manhã, a banda Le Mars trouxe
seu grindcore extremo, bem executado, veloz e furioso, com um pouco de
influência de death metal moderno, estilo Behemoth! Tão veloz que o baixista
corria de um lado pro outro no palco! Coisas que acontecem no Brutologos!
E quando dizem que
fatos inexplicáveis acontecem nas edições do festival, não é brincadeira! O
segundo destaque do fest aconteceu após as 2h, com a apresentação da banda de
thrash/crossover Cursed Slaughter! Circle pit insano, mosh com direito a
um thrasher surfando com uma pranchinha em cima do público... A empolgação (e a
embriaguez) era tão alta, que o vocalista Daniel até rasgou a calça! Mas o
thrash não pode parar, e assim o público delirou com hits da banda como Metal
Moshing Thrash Machine e Crystal Lake. A galera invadiu o palco, roubou o
microfone, pisou no pedal. Com um instrumental perfeito, arrisco a dizer que a
banda é a melhor no Crossover nacional da atualidade. Um show para se recordar!
Infelizmente não pude presenciar a apresentação das demais bandas, no entanto
todos os que viraram a noite disseram que foi um festival memorável! Um marco
no underground paulista. Que venham mais edições e que venham mais insanidades
do Brutólogos!
Conversamos com o Bruno, vocalista e guitarrista do trio de grindcore paulista, Le Mars. Ele nos contou um pouco sobre o início da banda, sobre o lançamento do primeiro EP, sobre o cenário grind em sua cidade, tour com a banda Stoma e muito mais. Confira:
SCUM- Fale um pouco do início do Le Mars.
BRUNO - Primeiramente eu queria agradecer pelo espaço, é
sempre uma honra pra mim responder algumas perguntas de quem realmente está
ajudando a cena.
O Le Mars começou acho que no fim de 2010. Eu e o Paulo
tocamos antes do Life is a Lie e no Evokers e com o fim das duas bandas a gente
meio que se distanciou. Depois de um tempo a gente se viu em algum role e eu
lancei a ideia de montar outra banda, por que acho que eu mesmo só montaria
outra banda se fosse com ele na bateria por causa do entrosamento e pela
amizade. Ele achou legal a ideia e montamos a banda com o Felipe no baixo e um
amigo nosso no vocal. Infelizmente não deu certo com o vocalista, assim eu e o
Paulo assumimos o vocal já que cantamos
em outras bandas no passado.
SCUM - Vocês estão prestes a lançar o primeiro álbum de
vocês. Como está sendo o processo de gravação? Conte um pouco sobre o que está
vindo.
BRUNO - Na verdade será um EP que se chamará “Inner me (Enemy).
Acabamos de finalizar “tudo”. Gravamos no estúdio A Torre que tem uma excelente
infraestrutura e o dono do mesmo toca em outra banda com o Paulo chamada Spell
Forest, pra produção chamamos o Fabiano Penna (Rebaelliun, The Ordher) que além
de ser um amigo das antigas já produziu o Evokers em 2002... Então tava tudo em
casa, e como a gente demorou demaaais pra gravar, pelo menos chegamos lá bem
ensaiados, hahahaha.
Então foi tudo bem tranquilo.. Estamos disponibilizando os making of no
youtube, então dá pra vocês terem bastante ideia de como foi.
Só que o foda agora é esperar a mix e master, mas deu muito trabalho, espero
que o pessoal realmente curta.
SCUM - Como é o cenário para o grindcore em São Paulo?
BRUNO - Cara, posso te falar que não perde pra lugar nenhum
do mundo, pelo meno em termos de bandas. Eu realmente fico muito impressionado
cada vez que eu vou em um show e tem uma banda nova simplesmente destruindo.
Tenho vários amigos que sempre me mandam
sons novos e eu penso “caralho mano,
aonde é que isso vai parar?”. Agora, lógico que falta lugar pra tocar,
infraestrutura peca muitas vezes, mas ae não é culpa das bandas, e a galera que
se mobiliza pra organizar uma parada sempre dá o máximo de si e tentam colocar
o melhor equipamento possível. Só que ae já é uma discussão que vai além, como
toda a política de importação que deixam os equipamentos absurdamente caros e
muito mais, o dono do pico que já ganha absurdos com o bar e aidna cobra uma
puta grana pra aluguel, às vezes o produtor quer até dar uma grana pras bandas,
mas no final das contas ele tomou prejuízo, ae vai fazer o que, tirar do bolso
e nunca mais organizar nada? Não dá. Se bem que antes de tocar bastante na cena
grindcore eu tocava mais nos roles death / gore / Black.... e te falo que lá a
situação era beeeem pior., foi meio que um choque quando eu entrei no Lial e vi
bastante gente em um show... hahahahaha
Agora se vc me perguntar se tem panelas? Tem. Invejas? Tem. Mas ae é em todo
lugar por que o ser humano é uma merda mesmo.
SCUM - Cite e comente sobre 3 bandas independentes nacionais
que você indica.
BRUNO - Caralho mano, ae vc me fode! Ouahahauaoaha
Bom, vou tentar falar umas q não são tãããão conhecidas já que tem algumas que o
público já tá ligado.
Mas posso falar que o material novo do Purulento tá foda... grindcore direto,
insano, old school... piro demais no som deles!!
M.D.K. que acabaram de lançar um cd pela Bizarre Leprous (selo foda do brother
Román) e mano, que cd absurdo!!! Quem
curte gore pode pegar, eu pelo menos acho o melhor do estilo já lançado por uma
banda brasileira.
Tocamos algumas vezes com uma banda da Praia Grande chamada Summer Saco, do
caralho!! Também diretão, mas com umas variações mais groovie... não cheguei a
escutar nada de estúdio deles, ma pelo menos ao vivo os caras arregaçam!
SCUM - Qual foi o melhor show que vocês já fizeram? E o mais
importante?
BRUNO - A gente tem sorte de nesse pouco tempo ter feito
vários shows legais em diversos estados e sempre com várias bandas animais
nacionais e internacionais. Fica até meio difícil falar... a tour toda com o
Dead Infection por exemplo foi foda. Rio de Janeiro sempre é perfeito, tocar
com o D.F.C. foi lindo também. Mas se tiver que escolher um tem que ser o More
Gore than Before de 2012. Melhor fest do estilo no Brasil, só bandas top,
grande público, exemplo de organização, e ainda saíram algumas resenhas falando
muito bem da gente, inclusive na Hell Divine nos colocando como um dos
destaques, fiquei bem surpreso com isso, só tinha banda boa, achei que a galera
não ia dar muita atenção pra gente não, já que somos banda nova e com Praticamente
nada gravado, mas foi foda!
SCUM - Ano passado vocês fizeram uma mini-tour com o Stoma
da Holanda aqui em São Paulo. Como foi dividir o palco com os caras,
convivência...
BRUNO - Cara, vou te falar que já fiz tour com muitas bandas
gringas, mais de 15 ae se pá, e muitas bandas foda que a galera pira mesmo. E
te falo que convivência com as bandas é uma merda... ainda mais se vc é fã dos
caras, é zuado ver alguns caras que vc admira pessoalmente e se decepcionar
muito com as atitudes, mas claro que não vou falar de nomes . Mas te falo que o
Stoma é com certeza junto com o Fubar e Reason to Kill uma das bandas mais
gente boa de todas. Já tinha feito uma tour com eles acho que em 2005 e foi
tudo perfeito, dessa vez também ninguém tem do que reclamar, pior é que os 5
ficaram na minha casa mesmo, mas sempre respeitaram tudo, era festa todo dia,
esses estão convidados a vim sempre! Mas shows mesmo foram poucos, acho que só
três, tocou também uma banda de SJC chamada Manger Cadavre?... que também é
sensacional.... Então o clima foi perfeito e todos os shows rolaram sem
problemas e numa puta amizade legal.
SCUM - Esse espaço é de vocês! Agradecemos muito a
entrevista, usem-o como quiser!
BRUNO - Queria agradecer muito pelo espaço cedido e
parabenizá-lo pelo webzine. Enquanto muitos reclamam tem gente como vc
arregaçando as mangas e trabalhando de verdade em pró da cena e bandas.
Assim que sair o material a gente te manda pra vc dar uma apreciada no
material.
Mais uma vez muito obrigado e continue com o excelente trabalho.