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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ENTREVISTA: Surra


O papo de hoje é com o pessoal de Santos que manda um crossover de responsa: Surra! Confira.

SCUM: Vocês são ex-integrantes do Like a Texas Muder. Como surgiu a ideia de montar o Surra?


Leeo: Cara, fiquei mega decepcionado com o fim do LATM, quase desisti de ter banda com eles. Logo depois que acabou, eles 2 iam montar uma banda com uns amigos e eu ia ficar no Bayside Kings.Tive um surto em casa, compus uns riffs e liguei pro Victor... Falei que precisávamos nos trombar pra conversar e aí decidimos fazer algo do zero nós 3 mesmo.

SCUM: As letras de vocês, geralmente tem cunho social. Quem as escreve? Fale um pouco sobre alguma delas.


Guilherme: Essa é uma pergunta bem interessante que é sempre legal de comentar. 
Sem exagero, mas, nós 3 escrevemos a maioria das letras da banda.
Geralmente um dos integrantes vem com um esqueleto ou ideia crua e dedicamos tempo e atenção especial para transformar aquela ideia em uma letra.
Sempre buscamos encaixar frases e palavras que não só fiquem legais musicalmente falando mas que transmitam fielmente a ideia que tivemos ao elaborar a letra. 
Nem sempre temos essa capacidade até por que nossas músicas no geral são curtas e abordam questões ditas "polêmicas". Estamos sempre abertos a trocar idéias sobre as letras já que não temos a intenção de impor o que pensamos sobre nenhum dos assuntos.

Uma letra que eu acho que é legal de comentar um pouco é a letra de "Cubathrash". 
A galera tem uma relação de amor e ódio com essa letra hahah. 
Algumas pessoas interpretam superficialmente a letra e chegam a pensar que foi feita como forma de denegrir a imagem da cidade e das pessoas que vivem/trabalham lá.
A letra foi escrita a uns 4 anos atras e foi uma alusão aos tempos mais "cinzas" da cidade tendo como "inspiração" as músicas Cubatão do Psychic Possessor e Biotech is Godzilla do Sepultura (a letra é do Jello Biafra do Dead Kennedys) mostrando o descaso das autoridades em geral com a questão ambiental e social atrelada a instalação de indústrias altamente poluidoras na região.Já até falamos isso pro Andreas Kisser quando o Leeo participou do progama Pegadas.
Eu particularmente estudei três anos em Cubatão e sei que a situação ambiental hoje é diferente do que nos anos 80. A cidade está mais limpa só ambientalmente por que o poder público continua igualmente podre.
Por se tratar de uma letra mais antiga talvez hoje, por conta da maturidade e capacidade de escrever letras que transmitam melhor o que estamos pensando, abordaríamos o tema de uma maneira diferente.

SCUM: O Surra é uma banda aceita dentre o público hardcore e o de thrash metal. Quais são as diferenças e semelhanças de ambos.

Victor: Acho que varia muito de cidade para cidade. Em cidades maiores existe uma segregação maior entre públicos mesmo, mas em cidades pequenas, fora dos grandes centros, é todo mundo junto, até porque se não for, não tem como rolar nada.

Acredito que a gente fique em um meio termo incômodo para algumas pessoas, por ser muito metal para o hardcore e muito hardcore para o metal. Independente disso, acho que conseguimos mesclar bem as influências e criar algo minimamente original. Se isso quer dizer que não teremos rótulos definidos, então OK, seguiremos nosso caminho com um público "porra louca" mesmo hahahaha

SCUM: Agora em novembro, você irão tocar com um dos ícones do grindcore mundial, Magrudergrind, junto a outras bandas nacionais de peso. Qual é a expectativa para esse show?


Guilherme: Eu em especial estou muito ansioso já que é a estreia da minha produtora, a Sete Pele Produções.Essa vai ser a minha primeira aventura na organização efetiva de um evento.
O esquema vai ser totalmente DIY com ajuda de várias pessoas que gostam/apoiam/organizam eventos desgraçados na Baixada Santista.
Sou suspeito para falar do cast das bandas (visto que fui eu quem escolhi hahah). Só banda de responsa! 
Faremos um setlist inédito nesse dia tocando todos os 4 sons que vão sair no nosso 7" EP intitulado Somos Todos Culpados. 

SCUM: Qual foi o show mais marcante que vocês fizeram? 

Guilherme:Considero que todos os shows que a gente faz são importantes para a caminhada da banda. 
Um cara que chega ali na banca do merch pra trocar uma idéia ou depois do show comenta alguma coisa... essa interação é primordial na nossa visão. 
Tem um pouco a ver com o que falei na pergunta referente as letras. 
Acredito que nesses momentos temos a oportunidade de mostrar um pouco mais do que somos e do que pensamos.
Alguns shows que eu destacaria são principalmente da turnê norte/nordeste carinhosamente chamada Páscoa de Merda Tour que fizemos em Abril desse ano:
Casa Fora do Eixo - Macapá/AP
Xani Club - Belém/PA
Bueiro do Rock - Teresina/PI
Nesses 3 shows em específico esse lance da interação da galera tanto durante o show (os moshs, wall of deaths, circle pits mais insanos que já rolou com a gente tocando) quanto antes e depois do evento foi muito intensa. Ver a galera cantando as letras que você fez a 2.000 km de casa é extremamente gratificante.
Tivemos oportunidade de conhecer os organizadores locais e suas famílias (sempre nos tratando maravilhosamente bem), além de bandas fudidas. 
Fizemos amizades que cultivamos até hoje e com certeza vamos voltar para lá ano que vem!

SCUM: Indiquem 3 bandas nacionais e independentes que vocês ouçam!

Comos somos em 3 cada um vai mandar a sua sugesta.
Guilherme: Atualmente estou pirando no thrashcore dos manos do DCH.
Leeo: Eu recomendo o Institution! Muito fudido!
Victor: Cursed Slaughter manda demais.


  


SCUM: Obrigado pela entrevista e esse espaço é de vocês! Usem como quiser.

Victor: Valeu você pelo espaço! Dentro de um mês (ou menos) estaremos lançando nosso novo EP "Somos Todos Culpados", em formato de vinil de 7 polegadas. Postaremos maiores informações em breve na página, mas já adianto que ele contém 4 faixas, que são as coisas mais agressivas que a gente já fez na vida hahaha

Links relacionados:
https://www.facebook.com/surrahardcorehttp://surra.bandcamp.com/