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segunda-feira, 29 de julho de 2013

ENTREVISTA: Marcelo Fonseca | O Cúmplice

Conversamos um pouco com Marcelo Fonseca, vocalista da banda paulistana O Cúmplice. Ele falou um pouco sobre a influência de projetos passados no som atual da banda, sobre a tour que fizeram no Rio Grande do Sul, indicaram bandas e ainda sobre o processo de gravação de seu último trabalho. Vale muito conferir!



SCUM: Fale um pouco sobre o início da banda, projetos passados dos integrantes e a influência dos mesmos na banda.

O Cúmplice: A banda começou em outubro/novembro de 2005. Da formação original restaram apenas eu (Marcelo/vocal) e o Alessandro (guitarra). Entre membros que se foram e atuais, posso dizer que a árvore genealógica d'O Cúmplice tem várias ligações como: Constrito, Intifada, Diáspora, Flama, I Shot Cyrus, Cabeça de Gato, Urutu, No Violence, L' Enfer, Fim do Silêncio, Noala, Abuso Sonoro e Massacre em Alphaville.

Sobre a influência, ela é mútua, pois todos sabíamos o que queríamos desde que a banda foi montada. Fazer um punk metalizado, com influencias de crust e metal. De certa forma, essa fórmula já estava presente em todos os outros projetos, mas empregada de forma diferente, ou com resultados diversos, afinal cada banda, cada combinação de pessoas, tem um resultado.

SCUM: Vocês acabaram de lançar duas músicas que sairão no split 7" EP Gracias Por Nada. Como foi o processo de gravação e como sugiu a ideia do Split?
O Cúmplice: A gravação é a mesma do nosso compacto 7". Nós apenas separamos as músicas pois pretendíamos fazer um split, só não sabíamos com quem. A gravação foi semi ao vivo, em duas sessões (Sábado e domingo) o instrumental estava pronto. O vocal foi feito em mais 2 sessões. A mixagem levou 15 dias e a masterização uma semana. Essa é a primeira gravação dessa formação, mais estável e foi muito importante para mim pois, ela capta não só um momento bom, como um "formato" mais fechado do que fazemos. Nós ensaiamos essas músicas 6 meses sem parar, tocávamos em todos os shows que éramos convidados, então apesar de uns errinhos (preciosismo nosso) me sinto muito satisfeito com o resultado.





Conhecemos o Gracias através do Luiz (nosso baterista), eles tinham uma gravação e a ideia do split surgiu meio que naturalmente. Além do som e das ideias valorizamos o vínculo de amizade que se criou. Foi o mesmo com o Te Voy a Quebrar, e provavelmente será o mesmo com outros splits que possamos fazer no futuro.

SCUM: Sobre o que as letras do O Cúmplice falam?
O Cúmplice: Eu escrevo todas as letras. Depois de tantos anos nessa cena hardcore-punk, vivenciando a o underground, é meio que um misto do vício de escrever com terapia. Anos atrás a "agenda política" da cena meio que pautava meu jeito de escrever, pois querendo ou não, é uma forma de ver o mundo que vai sendo construída. Eu gosto de poesia, e tento exercitar o jeito de escrever, da escolha das palavras dentro do contexto sonoro da banda. Eu tento falar de questões mais existenciais, de envelhecer e tentar se manter jovem por dentro, ou da necessidade de manter a memória histórica. Os temas vão surgindo, pois tem uma porção de coisas acontecendo ao nosso redor. "The world keeps turning" como diz o Napalm Death. Basicamente O Cúmplice é o local que tenho para exercitar a mente, para gritar para fora sobre o que me incomoda.E podem ser questões políticas, sociais ou meramente pessoais. A música é rápida, pesada, dissonante e acho que casa bem com o que escrevo.

SCUM: Recentemente vocês fizeram uma mini-tour no sul do país. Como foi a recepção por lá? O que vocês destacam?
O Cúmplice: Foi uma experiência muito boa. Todos voltamos empolgados e felizes, pois foi uma de nossas melhores tours. Sinto que 90% das pessoas não nos conheciam, como banda, mas foram muito receptivas. E é nisso que o hardcore faz a diferença, você pode ter tocado numa banda de pouca expressão, mas você cria vínculos de amizade perpétuos e sinceros. Então tivemos o que esperávamos: hospitalidade, shows pequenos mas intensos, pessoas interessadas. A música é o pano de fundo para você conhecer pessoas, lugares, trocar experiências, ver novas produções. Acho que se for destacar algo seria injusto, mas piramos em todos os shows, nos lugares, nas bandas mas sobretudo nas pessoas. Todos os shows foram animais e só me resta agradecer ao Ornitorrincos, Dias/Rieger/Armani, CFC, Farpa, Imorale, Vultures, Diatribe, Viruskorrosivus e Hangovers. Nunca esqueceremos esse rolê.

SCUM: Indiquem e comentem sobre 4 bandas da cidade de vocês que os nossos leitres não podem deixar de ouvir.
O Cúmplice: Cara, a minha opinião não reflete a opinião da banda, ok? Então coloco coisas que tenho ouvido,observado e curtido. Na real vou ser injusto, pois poderia escrever pelo menos sobre umas 20 bandas...

Days of Sunday (daysofsunday.bandcamp.com/) - Hardcore melódico sxe, lançaram vinil recentemente. Letras muito legais, show muito bom, Muita energia!

Infamous Glory (infamousglory.bandcamp.com)- Death metal old school, saiu o cd deles recentemente também. Além de serem caras gente fina demais, a banda é velha, e esta sempre produzindo, sempre gravando lançando material coisa que admiro. Fiquei viciado em Bloodfeast!

Defy (defyascrust.bandcamp.com)- Crust metal punk. O show é bruto e o split com o Subterror sensacional. Vale muito a pena pegar os outros lançamentos também.

Noala (noala.bandcamp.com)- Doom drone experimental. Aqui estou sendo corporativista assumido. Conheço os caras a anos, e sei o quanto gostam desse som, e buscam a perfeição. Ainda não ouvi o disco todo, mas o show e as músicas disponíveis para audição já dizem o que vem por aí...




SCUM: Quais são os planos da banda?
O Cúmplice: Gravar até o começo do ano que vem um album full. Tocar o máximo possível divulgando os lançamentos, lançar um videoclip e produzir shows legais com bandas que gostamos, entre várias outras ideias...

SCUM: Esse espaço é de vocês. Usem como quiser!
O Cúmplice: Muito obrigado pelo espaço da entrevista e pelo convite. Continuem acreditando no underground, na produção independente, na amizade dentro do hardcore ou metal. E comprem mais vinil! Esse papo de que cd é melhor é mentira, hehehe.